Não há garantias

Vivemos num mundo regulado. Produtos perigosos são obrigados a colocar avisos de que são perigosos. Brinquedos que possuem partes pequenas são obrigados a colocar isso no rótulo. Vivemos na sociedade da faca sem ponta.

Adicione-se a isso o fato de quando sermos crianças, nossos pais fazerem de tudo para satisfazerem nossas necessidades, nós crescemos achando que o mundo é um lugar desenhado para que tudo esteja sempre bem e para que o indivíduo seja feliz e completo.

Exceto que esta não é a verdade.

O mundo é um lugar frio e mecânico, regido pela lei da causa e consequência, onde as coisas acontecem porque devem acontecer, e não por algum senso de justiça existente somente na mente humana. Em outras palavras: não há garantias de que você irá se dar bem na vida. Esta é sua obrigação, não seu direito.

Muitas pessoas parecem não ser capazes de entender este simples conceito, o que leva a muitos problemas, inclusive psicológicos. A vitimização e a coitadização do eu é um grande problema da sociedade contemporânea, ao meu ver. Pessoas processando o McDonald’s ou a indústria do tabaco por sua saúde menos-que-perfeita deveriam ser uma piada num mundo normal. Quanto mais as pessoas se acham vítimas do mundo e incapazes de mudar o seu futuro, menos fazem no seu presente algo para mudá-lo. Isso leva a uma vida estagnada, depressão, falta de prosperidade e uma espiral decrescente na vida.

Quem é que disse que seria fácil? Quem é que disse que seria justo? Quem é que disse que sofrer é merecer? Quem é que garante que você irá encontrar sua cara-metade que vai gostar de você “do jeito que você é”? Quem é que disse que a felicidade é um estado natural?

Só você tem a obrigação de se tornar a pessoa que quer ser. “Torna-te quem tu és”. Talvez aí sim a vida seja generosa com você e todas as coisas venham ao seu encontro. Até lá, trabalhe muito para evoluir, seja generoso com a vida e aceite o que vier de bom grado, pois o Universo não lhe deve nada.

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Seja um life geek

Hoje resolvi reaprender código morse.

Isso porque me peguei dizendo que sabia código morse, mas tinha esquecido uma parte. Bom, saber algo mais ou menos e não saber dá na mesma. Então resolvi que quero saber a coisa toda.

Este fato banal agrega dois conceitos importantes:

  1. integridade: se eu quero dizer que sei código morse, é melhor eu realmente saber código morse
  2. se for fazer algo, faça direito

Ser geek, ao contrário do que muita gente pensa, não é gostar de computador. Geek é qualquer pessoa que tem uma curiosidade maior que o normal por determinado assunto. Temos os computer geeks, os politics geeks, os film geeks e assim por diante.

Juventude descompromissada

Adoro minha vida de adulto, mesmo com todas as responsabilidades e cobranças que dela advêm. Mas quando me lembro da minha infância, adolescência e pós-adolescência, lembro também que adorava criar mini-projetos sobre qualquer coisa e mergulhava de cabeça naquilo por quanto tempo fosse necessário. Desde o clubinho que tentei fazer com meus amigos quando era criança, até aprender a fazer sites pessoais aos 12 anos, ou escrever guias para videogame aos 18, ou criar diversos sites experimentais e depois largá-los. Eram tarefas que não me traziam nenhuma remuneração mas me davam satisfação enorme. Me sentia realmente em estado de flow quando imerso em aprender/realizar isso tudo.

Voltando ao código morse

Eu já tinha aprendido código morse quando mais novo. Como toda nova “língua” aprendida, mais se apaga da memória quanto menos se pratica. O mesmo aconteceu comigo quando aprendi Esperanto básico.

Muitos de nós sabemos qual o próximo carro queremos comprar, ou o próximo “brinquedo de adulto” (blu-ray, tv de lcd, smartphone) mas não é isso que dá o gosto à vida, e sim as experiências.

Minha irmã se formará em Lazer e Turismo, e fico muito feliz por isso. Esta é uma profissão que estará cada vez mais em alta, porque quando as pessoas possuem suas necessidades básicas preenchidas, mais dinheiro não equivale a mais felicidade. Entretanto, mais experiências inesquecíveis, sim. E um profissional treinado para esta função, de criar experiências inesquecíveis, se tornará cada vez mais importante.

Gostar de fazer algo e se aprofundar nisso é muito legal, e faz tempo que eu não sentia isso. Por mais que eu goste de fazer meu trabalho, tudo que é feito com obrigação, eventualmente enjoa.

Concluindo

Ache algo que lhe apeteça (artesanato, pintura, alpinismo, aprender uma nova língua, planejar uma viagem) e caia de cabeça. Ser um geek da vida é bom para seu cérebro, para o seu humor e quem sabe esta coisinha estranha que você aprendeu não se conecte algo realmente importante no futuro?

O mundo é de quem está pronto

Eu nunca fui um grande aluno, sempre tirava as notas suficientes apenas para passar de ano (frequentemente correndo sérios riscos), mas durante o colégio por algum motivo desconhecido eu me dava muito bem nos vestibulares (muito bem para o curso que eu queria na época: publicidade e depois Academia da PM do Barro Branco). Numa destas épocas eu tentei adquirir um cartão de crédito para poder comprar minhas coisas na internet sem ter que pedir pro meu pai, e ouvi um ressoante não.

Sei que é óbvio para mim agora o motivo pelo qual um adolescente sem renda não consegue ter um cartão de crédito a menos que seja adicional do pai, mas na época não entendia. Eu confiava muito em mim, tinha passado em um vestibular concorrido, é claro que eu seria brilhante e teria condições de honrar com o crédito. Mas sabe de uma coisa? NINGUÉM LIGA PARA VOCÊ ENQUANTO VOCÊ ESTÁ SE PREPARANDO.

Existem galãs com sorrisos perfeitos, não galãs com aparelho nos dentes, em processo de aperfeiçoamento. Existem campeões olímpicos, não atletas que treinam bastante. Ninguém quer saber quantas horas por dia você se prepara para algo ou se você realmente está quase lá. As pessoas não podem apostar em você.

E estas pessoas que não apostam em você, elas não estão erradas. Porque apostar em qualquer ser humano é um investimento de altíssimo risco. Já há um certo risco quando investimos em nós mesmos, investir nos outros ainda é um pouco menos seguro.

Portanto, a sua preparação você terá que enfrentar sozinho. Você, seus amigos de verdade, alguns familiares e só. Não espere ser aclamado no processo. Chega uma hora que você atravessa o vale. Aí sim você colherá os resultados. Mas enquanto este momento não chega, cabe a você continuar ou não. Desistir de algo por falta de motivação externa é um absurdo, porque ninguém lhe deve nada neste mundo. O único crédito que você tem é com você mesmo. É claro que muitas pessoas irão lhe ajudar, e dificilmente se chega a algum lugar sozinho, mas não é obrigação deles manterem você no seu caminho. Este é o seu trabalho. Assegurar a não desistência.

Desistir é bom quando o caminho não leva a lugar nenhum. Ou quando você não tem certeza se quer mesmo seguir por este caminho. Mas se as razões para caminhar vêm lá do fundo, desistir é loucura. Porque ter a certeza do sucesso antes dele acontecer é o único de jeito de alcançá-lo. Quando você estiver pronto, o mundo lhe será muito, mas muito gentil. Até lá, just do it.

Wednesday Movie Night (o videocast de cinema) – o piloto

Quem já acompanha este blog sabe que sou cinéfilo de carteirinha e não nego. Além de gostar de ver filmes, gosto de comentar sobre filmes, de colecionar filmes e de saber mais sobre o trabalho dos atores e diretores que gosto.

Gosto de filmes de muitos gêneros, estilos e nacionalidades diferentes. Ou seja, eu gosto de cinema. Eu saio do cinema extasiado com um sentimento que sempre confirma que eu realmente gosto de cinema. Eu não tenho dúvida quanto à minha adoração pelo cinema. A Gretchen Rubin costuma dizer que você pode escolher o que fazer, mas não pode escolher o que gostar. Pois eu tive a sorte de nascer adorando cinema.

Dito isto, eu conheci na faculdade uma pessoa que gosta tanto de cinema quanto eu, o Rod. E desde então às vezes combinamos de ver filmes juntos, especialmente os filmes longos demais e chatos demais pra seres humanos normais, ou filmes machos demais para assistir com as namoradas. No início deste ano formalizamos um ritual de ver toda quarta um filme diferente. Desta forma, nos obrigaríamos a nos manter vendo filmes mais antigos além de uma forma de manter a amizade viva após o término da faculdade.

Algumas noites, víamos sozinhos o filme, outras vezes alguns amigos nos acompanhavam. E assim foi. Até que em uma destas noites, discutindo sobre um filme logo após o término dele, o Nil teve a ideia de gravar o nosso comentário sobre o filme. Essa ideia evolui para um videocast de cinema.

Há muitos videocasts por aí. Acompanho e sou fã de alguns. Para ficar apenas no assunto cinema, gosto muito do Moviebuzz e da OmeleTV. Então tínhamos o desafio de fazer um podcast sobre filmes bacanas (geralmente os filmes são de grandes diretores e/ou que já possuem críticas boas a respeito ou são aclamados de alguma forma) mas que não se encaixasse em nada que já existisse na área. Surge o Wednesday Movie Night. Gravamos o primeiro episódios há algumas semanas e colocamos no ar nesta quarta-feira. Toda quarta um episódio irá ao ar às 20h, e toda quarta nós assistimos outro filme e gravamos, etc.

O WMN se diferencia dos outros videocasts porque traz filmes que não estão em alta no cinema. Não falamos sobre notícias de cinema e nem sobre filmes que estão saindo. Nós escolhemos um filme aleatoriamente, que pode ser de qualquer época do cinema (já gravamos das décadas de 70, 80, 90 e 2000) portanto é bem eclética, e o mesmo pode se dizer quanto ao gênero.

#001 – Kagemusha (1980), de Akira Kurosawa

O primeiro episódio que gravamos foi após assistir o filme Kagemusha, do diretor japonês Akira Kurosawa. O podcast possui 12 minutos, e melhor do que eu contar sobre o episódio é você assistir. Veja abaixo ou diretamente no vimeo.

Agradeço de antemão a todos os comentários e feedback. Postarei todos os episódios diretamente aqui no blog, toda quarta à noite. Você pode seguir o twitter @wmnight para ser avisado quando um episódio novo for ao ar.

Lose your illusion

A sabedoria é algo que muitos almejam, mas será que possuem um mapa claro de como atingí-la? É claro que não. Não deve haver um mapa claro para a sabedoria. Pessoalmente, creio que ela seja um dos caminhos para a felicidade. Não o único, mas uma vez escalada a pirâmide de Maslow, sem sabedoria logo vem a estagnação e talvez a perda da atmosfera de crescimento, tão necessária para sermos felizes. Portanto, a felicidade duradoura depende da evolução em todos os sentidos, e não é possível evoluir a mente sem buscar sabedoria.

Lendo este post do excelente Dr. Alex Lickerman (médico e budista), me deparei com uma definição de sabedoria nova para mim.

Após tantos anos a valorizando e almejando, me deparei com uma definição muito interessante do budismo sobre a sabedoria:

“Alcançar a sabedoria é nos livrarmos das ilusões.”

Vivemos vidas de tantas ilusões. Algumas grandiosas e outras tão pequenas e arraigadas à nossa visão de mundo que passam desapercebidas como “verdades”. É muito importante sair de você mesmo algumas vezes e tentar ver as coisas e o mundo de uma perspectiva um pouco mais ampla, como uma visão em terceira pessoa. Sem esta perspectiva, não podemos resolver os problemas mais graves, e ao menos tentar enxergar o mundo com um pouco menos de viés, que vem com as visões de mundo.

O Dr. Alex também me ensinou no mesmo post que nós apenas perdemos ilusões quando o custo de mantê-las se torna mais alto do que o custo de largá-las, como ao terminar um namoro/casamento e perceber que não precisamos do amor de ninguém para sermos felizes, ou quando descobrimos que não gostávamos do emprego após sermos demitidos.

O grande desafio, creio, é perder a ilusão antes que isso se torne conveniente. Talvez esta seja a chave do processo de amadurecimento. Tenho para mim que uma das características da vida adulta é fazer o que deve ser feito, mesmo que às vezes não estejamos com vontade de fazer. Isso se aplica aqui também, a realidade deve ser encarada de frente, por mais difícil que seja.

Portanto, caro leitor, lhe convido a perder suas ilusões e encarar a vida de frente. As circunstâncias negativas são suas amigas, porque lhe fazem crescer. Aprenda a agradecer os problemas, pois são chances de arrumar o que quer que esteja errado em sua vida, que o esteja causando. Uma vida de ilusões é tão triste quanto patética. Deveríamos almejar uma vida de grandeza, realização e felicidade, e ela só é possível com sabedoria.

The tipping point – O ponto da virada (ou o ponto do desequilíbrio), de Malcolm Gladwell

Este é o primeiro de uma série de três posts, um sobre cada livro do autor Malcolm Gladwell.

Embora seu primeiro livro, The tipping point, tenha sido um best seller em 2000, eu não conhecia o autor até o ano passado. De lá pra cá li seus três livros, o que gosto de chamar de trilogia Gladwell (na verdade, acabei de inventar esse nome).

As características comuns a todos os seus livros são:

  • Não-ficção
  • O livro tem um ponto principal, e cada capítulo tem seu ponto específico que contribui para a noção do ponto principal
  • Em cada capítulo ele conta primeiro uma história real, e em seguida emenda com a teoria que quer explicar aplicada àquele caso, e faz o mesmo com algumas outras histórias reais, deixando tudo bem claro. Ou seja, o exemplo vem antes da teoria

Este estilo de escrever me cativou bastante, e a muitas pessoas. É difícil parar de ler, pois os assuntos são geralmente sobre temas interessantes e não-intuitivos.

1º livro: The tipping point – o ponto da virada (como pequenas coisas podem fazer uma grande diferença)

Tema central: como o próprio autor define: “O Ponto da Virada é a biografia de uma ideia, que é muito simples: a melhor maneira de compreender o surgimento de tendências da moda, o fluxo e refluxo das ondas de crimes, assim como a transformação de livros desconhecidos em best-sellers, o aumento do consumo de cigarro por adolescentes, os fenômenos da propaganda boca a boca ou qualquer outra mudança misteriosa que marque o dia-a-dia, é pensar em todas elas como epidemias. Ideias, produtos, mensagens e comportamentos se espalham como vírus.”

Pontos mais interessantes que me chamaram a atenção

Vila Sésamo (Sesame Street) – o autor explica todo o processo de criação deste grande sucesso mundial infantil. Os criadores não queriam apenas um programa para entreter crianças, mas um programa sem violência e educativo que conseguisse manter a atenção das crianças. Isso é um desafio muito grande, e Vila Sésamo conseguiu este feito, mas não por acaso. Eles testavam todos os programas medindo a atenção de crianças em projeções-teste. Não apenas faziam o programa e esperavam que fosse interessante. Foi um processo quase científico de criação, até que se tornasse a Vila Sésamo que conhecemos hoje.

O vertiginoso declínio da taxa de crimes em NY e a teoria das janelas quebradas – Gladwell conta em detalhes a situação da crmininalidade em New York nos anos 1980, e como a partir de 1990 a taxa de homicídios caiu rapidamente em dois terços. Ele atribui este efeito à teoria da janela quebrada: se alguém quebra uma janela e ninguém conserta, as pessoas que passam por ali percebem que ninguém se importa. Logo surgem novas janelas quebradas, e o clima de anarquia toma conta, e começa a se espalhar a outras áreas. Era isso que acontecia com New York nos anos 1980.  Os vagões de metrô da cidade eram todos pichados e quebrados, havia mendigos em demasia nas ruas e o clima de desordem era geral. Até que se iniciou um longo processo de restauração de tudo na cidade (por exemplo: todos os vagões de metrô pichados eram pintados no dia seguinte, de forma a nunca haver nenhum metrô pichado andando na cidade), o poder do contexto se encarregou de diminuir a criminalidade.

150, o número mágico – Os seres humanos possuem limites naturais em seu cérebro, o que os psicólogos cognitivos chamam de ‘capacidade de canal’. Por exemplo, em média, um ser humano é capaz apenas de identificar 6 tons sonoros diferentes de uma só vez, depois disso passa a se confundir e adivinhar, o mesmo acontece com testes em diferentes sentidos, como paladar e visão, e até mesmo temos uma capacidade de canal para sentimentos. É possível ter mais de 6 grandes amigos? É difícil, porém possível. Mas acima de 15 grandes amigos já há um sobrecarregamento, e não há mais tempo para dedicar a cada amizade, sendo que nos afastamos de alguns naturalmente. Outra capacidade de canal interessante é a social. O humano e os primatas possuem uma parte do cérebro (neocórtex) cujo tamanho é muito maior do que de outros mamíferos.  Depois de muitos estudos, chegaram à conclusão de que isso se deve ao tamanho dos grupos. Se você tem um grupo de 5 amigos, você precisa acompanhar 10 relacionamentos – o seu com estas 5 pessoas e mais os 4 de cada uma entre si. Mas se seu grupo tem 20 amigos, agora você precisa acompanhar 190 relacionamentos. Ou seja, mesmo um aumento pequeno no grupo significa uma sobrecarga cognitiva gigante. O cérebro humano parece ter um número mágico de relacionamentos que pode lidar: 150. Antropólogos sempre esbarram em suas pesquisas com o número 150, a média do número de pessoas nas tribos caçadoras primitivas de várias regiões do mundo é de próximo a 150, o número de soldados por unidade militar também (regra que não mudou mesmo com avanço nas telecomunicações). Ou seja, parece haver um limite social para cada espécie, e a do ser humano é de 150 indivíduos com quem podemos nos relacionar de forma natural.

Capítulos do livro

  1. As três regras que regem as epidemias
  2. A regra dos eleitos: Comunicadores, experts e vendedores
  3. O fator de fixação: Vila Sésamo, As pistas de Blue e o vírus educacional
  4. O poder do contexto (parte um): Bernie Goetz e a ascenção e queda do crime em Nova York
  5. O poder do contexto (parte dois): 150, o número mágico
  6. Estudo de caso: boatos, tênis e o poder da tradução
  7. Estudo de caso: suicídio, tabagismo e a busca de cigarro sem poder de fixação
  8. Conclusão: concentre-se, teste e acredite
  9. Pósfácio:  Lições de The tipping point no mundo real

Lições práticas de The tipping point

  • Há diferentes tipos de pessoa que podem transformar um produto/ideia em uma epidemia (comunicadores, experts e vendedores). Saiba identificar o seu papel ou a ausência dele e contrate ou se associe a pessoas que possuam estas características
  • O poder do contexto é muito forte. Conserte as coisas quebradas agora, não depois. Plantas morrendo no escritório, parede precisando de pintura, impressora quebrada. Todas estas coisas passam a mensagem do oposto de prosperidade e de descuido. Não deixe que a teoria da janela quebrada faça parte da sua vida
  • Como seres humanos, precisamos entender – e aceitar – mais a forma como somos feitos. Muita gente tenta lutar contra instintos básicos e racionalizar situações que não funcionam com a razão (como entender mulheres). Há ainda muito o que nossa biologia/fisiologia tem a nos ensinar
  • O ambiente nos influencia de forma definitiva. Sua casa/escritório é seu santuário, portanto crie um ambiente favorável à produtividade e paz. Tenha superfícies limpas, sem pilhas de livros e/ou papéis. Tenha sistemas que assegurem um dia calmo e tranquilo. O mundo lá fora pode não ser exatamente como você quer, mas atue no seu círculo de influência para que ele seja o mais ordenado e agradável possível.

Finalizando

O livro é muito melhor do que eu poderia fazê-lo parecer. Há muita coisa interessante e é delicioso de ler. Recomendo sem dúvida, vai fazê-lo enxergar o mundo de forma diferente. E embora sejam apenas teorias, há inúmeras lições práticas a se tirar dele, tanto nos negócios quanto na vida.

Link: comprar livro no Submarino.

Alice, de Tim Burton – Review

Sou fã.

Li os dois livros mais de uma vez. Além de fã de Alice, sou fã de Tim Burton. Portanto, não preciso descrever minha situação quando adiaram a estreia de Alice no Brasil devido a Avatar nunca sair do IMAX.

SPOILERS – Cuidado!

Bom, chegou o dia, e hoje assisti Alice in Wonderland, de Tim Burton. Mais do que um filme sobre o livro, Burton utiliza Wonderland em outra fase da vida de nossa protagonista. Ela tem 18 anos e está prestes a casar. Está confusa, e não se sente preparada para tomar a decisão. Foge da realidade e visita Wonderland como forma de resolver este conflito pessoal.

Em Wonderland, Alice não lembra o que passou lá quando era criança. A história do filme é até simplista. Mas não a história que se passa nas entrelinhas.

No início, Alice não está pronta para enfrentar seus problemas. Não tem nem mesmo certeza se é Alice, e do que ela é capaz. Está sempre muito grande ou muito pequena, significando que cresceu demasiadamente rápido em relação a todos, mas ao mesmo tempo guarda a essência de criança. Parece nunca acertar seu tamanho de acordo com sua personalidade, tendo sempre esta imagem distorcida de si mesma.

O destino de Alice está traçado, e ela decide obedecer o que todos dizem que deve ser feito. Até que ela percebe que não é para os outros que ela precisa viver. Todos dão opinião, mas quem terá que matar o monstro é ela sozinha. Ninguém aparece para ajudar na hora H.

Alice se sente perdida na maioria das conversas, até que no final do filme ela encontra a iluminação. E a iluminação não é externa. Acontece dentro dela. Ela se sente pronta para realizar o seu dever ao mesmo tempo em que assume responsabilidade pelo seu destino. Se torna uma pessoa que não liga para o que a sociedade exige, e sim para o que ela mesma acredita ser seu dever e seu destino. Alice usa o País das Maravilhas como uma terapia para modelar sua mente para resolver problemas reais.

Alice utiliza conselhos do sábio, mas ele apenas aponta o caminho, é ela que precisa andar por ele. A escolha de Alice é de enfrentar seu monstro e reconhecer seu poder que estava em algum lugar fora de onde ela encontrava.

Alice é uma típica pessoa que não acreditava em si mesma, mas que exposta à situação estimulante correta vai em busca desse poder interior e o exterioriza de forma muito clara. Ela é a messias de seu sonho. Ela é a protagonista de sua história.

Tudo isso a ajuda em sua vida real. Se todos tivessem o mesmo poder de imaginação de Alice, psicólogos e suas terapias ficariam obsoletos.

O problema em presumir, ou ‘Não pense que você entende o que se passa na cabeça do seu cliente’

Eu gosto muito de gelo. Sempre que tomo refrigerante, suco ou líquidos em geral, eu quero com gelo. Em algumas ocasiões, em restaurantes e afins, quando peço um copo com gelo, a resposta recorrente é: mas o refrigerante já está gelado. Eu não gosto de gelo por causa da temperatura. Gosto porque muda o grau de acidez, o pH, o grau de diluição, a distribuição de gás carbônico e algumas outras coisas que meu paladar nota, que não a temperatura. Portanto, quando eu tomo refrigerante numa estação de ski, não me importa se está nevando, eu quero com gelo.

É fácil achar que você entende o que se passa na cabeça das pessoas. Mas você não sabe. Não até você perguntar por quê. E mesmo depois de perguntar, muitas pessoas nem mesmo entendem suas necessidades direito, e caso entendam nem todas querem se abrir com você. Talvez com seus amigos de infância, mas não com você. As necessidades delas são diferentes das suas, e mesmo entre seus clientes, cada um tem uma percepção diferente com relação ao seu preço e à qualidade do seu serviço. Muitos terão prazer em pagar pelo dobro do preço se você conseguir prestar o serviço sem que ela tenha que sair de casa. Outros não.

Não presuma causas e efeitos. Não dá pra saber se um botão COMPRE AQUI no lugar do atual link do seu site irá aumentar as vendas em 10%, ou se um anúncio na revista dará mais retorno do que um anúncio num blog ou no Buscapé, a menos que você teste. Se você é um autor, tente adivinhar qual título venderá mais edições. É impossível. Há de se testar. O ser humano é imprevisível, principalmente em comportamentos em massa, vide bolsas de valores.

Nós enxergamos o mundo com as nossas lentes, e mesmo olhando pro mesmo lugar não vemos as mesmas coisas. Portanto, lembre-se disso na próxima vez que achar que sabe o que se passa na cabeça de seu cliente. Ou quando lhe pedirem gelo.

Simplifique sua vida (elimine o desnecessário e mantenha o necessário)

Quando pensamos em produtividade, a primeira ideia que vem é de aumentar nossa capacidade de fazer as coisas mais rapidamente, e de forma mais eficaz.

A verdade é que muita gente se esquece que a melhor forma de riscar todos os itens de sua to-do list é ter uma lista curta. Se você coloca um milhão de coisas nessa lista, será que todas elas são realmente importantes? Mais ainda, será que todas elas são realmente necessárias de serem realizadas mesmo? Ou você poderia ignorá-las?

É ótimo terceirizar, automatizar, mas primeiro de tudo é preciso eliminar. Será que ter dois carros é mesmo a melhor solução? Ou uma casa com muitos cômodos, se você mora sozinho? Quantos talheres será que você precisa?

Em contrapartida, algumas vezes, simplificar não significa eliminar, mas o contrário. Seria mais simples se sempre que uma lâmpada quebrar você já tivesse outra de backup. Então compre uma lâmpada extra. Todas as folhas A4 já estão na impressora? Tenha um pacote reserva, ou vai querer sair correndo quando precisar imprimir aquele simples mapa quando estiver atrasado? Ou ainda comer qualquer porcaria porque não tinha nada saudável na dispensa. Ser organizado é simplificar a vida sim, ao contrário do que muitos pensam.

Nossa vida fica mais simples quando temos menos coisas para gerenciar, e também quando  evitamos urgências.  Portanto pare e pense que ações pode tomar para simplificar nas duas pontas.

O poder da crítica

É importante se expor. Fazer besteira, passar vergonha, ser apontado e darem risada de você. É só assim que a gente aprende.

Enquanto você está crescendo, a família sempre te apoia e ignora seus defeitos, te amanda incondicionalmente (pelo menos numa família sadia). É claro que as pessoas que te amam dão alguns toques, mas é a hostilidade do mundo, a risada dos colegas, a pressão do mundo é externo é que nos faz perceber nossos defeitos e querer melhorar.

Vale um adendo. É importante não levar a opinião dos outros muito a sério. A maioria das pessoas não quer mudança. O mundo está cheio de céticos, e de preguiçosos e invejosos. Pense duas vezes antes de aceitar opiniões ou ouvir ideias. Escolha cuidadosamente as pessoas e suas opiniões. Principalmente para seguir em frente em algum projeto no qual acredita de verdade. Neste caso, ignore a todos e siga seu caminho.

Em todos os outros casos, eu sou extremamente grato a todos os tiradores de sarro. Perceber que somos humanos e que possuímos falhas pode doer, mas a satisfação de poder trabalhar e evoluir, não tem preço.