Michael Jackson’s – This Is It (ou como ver um ídolo sem a máscara)

Na noite da quarta-feira passada tive uma experiência diferente de todas que já havia tido em uma sala de cinema.

Fui sem expectativas, ou com expectativas bem baixas. Afinal, eram apenas videos dos ensaios, e talvez um pseudo-documentário sobre os últimos dias de Michael. Talvez veria ali um semi-defunto tentando ensaiar e passando vergonha, alguém triste e que não lembraria nem de longe seus anos áureos.

Eu estava enganado.

Ao longo do filme, vemos um Michael feliz, engajado. Perfeccionista como sempre, cuidando de todos os detalhes por respeito aos fãs. Ele coloca tudo dele no que faz, por isso é considerado gênio.

Não dança como nos anos 90, mas até arriscava passos novos. Criava novas coreografias. Não seria um show meia-boca, nem feito nas coxas, como eu imaginava. This Is It seria o grande retorno do rei, definitivamente. Que pena que não foi.

O melhor do filme, na minha opinião:

  • Ver como Michael estava aparentemente contente por trabalhar de novo
  • Perceber como cada detalhe era pensado por ele, e como ele tinha participação fundamental no espetáculo, conhecendo cada nota de suas músicas e cada passo de suas danças
  • Ver imagens inéditas e recentes de Michael sendo ele mesmo, sem pose nem máscaras
  • Ver como ele era respeitoso ao interagir com os dançarinos e com o diretor do espetáculo. “It’s all for love. L-O-V-E.” Ele colocava amor em TUDO o que fazia
  • Ele queria passar uma mensagem, como sempre fez, com relação ao planeta. Desta vez sobre o aquecimento global
  • Ver o clipe que eles tinham preparado para Smooth Criminal, só isso já falei o filme inteiro
  • Michael Jackson é Michael Jackson.

O filme nem toca na morte dele e nem é carregado de emoções tristes, somente uma leveza e uma energia positiva, uma verdadeira homenagem. Por um momento esquecemos todos os escândalos jornalísticos e problemas que o cercaram por tanto tempo. Por momentos temos dó de como ele é infantil às vezes, e até certa vergonha alheia de alguns movimentos que seu corpo já não tão preparado executa. Mas vê-lo ali, criando, se superando, cantando, se emocionando. E seu público (os dançarinos, certamente fãs) vibrando enqunto ele dança Billie Jean. Ah, isso não tem preço!

“Todo mundo tem que assistir ao This Is Mothafocking It!! É rara chance de ver um gênio criando e, às vezes, desarmado. É foda.”
Marcos Mion, no twitter

 

“assisti ontem This is It e adorei. É como todo fã queria ver o Michael Jackson: dançando, trabalhando e contente. Sendo ele mesmo. ✩✩✩✩”‘
eu mesmo, no twitter

Leia também:

7 lições que podemos aprender com Michael Jackson, o Rei do Pop

Michael Jackson foi o Rei do Pop, o inventor do Pop, da geração MTV e é referência até hoje. Seu último disco, considerado um fracasso por muitos vendeu 10 milhões de cópias, em 2001, e a crítica considera um de seus melhores albuns.

O nome dele há muito tempo está envolvido em polêmicas. Talvez por ingenuidade, talvez por culpa de sua esquisitice e por querer sempre ser o que não era, nessa dura vida de ser a pessoa mais famosa do mundo inteiro.

Sua vida pública nos possibilita aprender muito, e é esta a intenção do seu post. Quais são as lições que podemos aprender com os erros e acertos do maior artista do século XX?

michael-jackson-moonwalker

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Entendendo uma das obras-primas de David Bowie: Ziggy Stardust

Se você não conhece muito bem o trabalho de Bowie, não é o único. Este homem inventou e reinventou gêneros de música diferentes. Conhecido como O Camaleão, ele já fez todos os tipos de música: glam rock, hard rock, blues, eletrônico, instrumental, blues, e deus sabe lá quais mais.

Há algum tempo, eu resolvi ouvir um por um de seus albuns, cronologicamente. Iniciei do primeiro e só passava ao próximo quando já sabia a maioria das músicas de cor. Acabei descobrindo que é muito raro gostar de um album à primeira ouvida. Geralmente, apaixonar-se pelas músicas leva um pouco de tempo, e é exatamente isso que acontece com a música de Bowie.

Ele é bem estranho, tenho que admitir. Ver a figura dele cantando não ajuda. Já dizia o saudoso Queen, conversando com o rádio e prevendo a explosão do iPod nos anos 2000: “so stick around, ‘cause we might miss you when we get tired of all this vision”. Bowie você tem que ouvir, só ouvir. Cada música tem uma história e é preciso mergulhar no universo dela e tentar entendê-la. A Wikipédia sempre ajuda nestes casos, te contando um pouco sobre cada música, e foi assim que eu aprendi a apreciar Bowie.

O álbum The Rise and Fall of Ziggy Stardust and The Spiders from Mars (apenas Ziggy Stardust para os íntimos) me encantou por um motivo. Ele conta uma história onde cada música é um capítulo. Isso era algo inédito na minha mente, e eu achei fascinante, logo resolvi cavar mais fundo nesse poço. E realmente me surpreendi. Encontrei o que poucas pessoas encontram. Bowie não dá pra ouvir uma vez, não entender a letra e ir curtindo. É uma música complexa, emocional, um nível acima do resto. O álbum é fenomenal, e a história por trás dele não menos incrível, mas o comportamento de Bowie nesta época de sua vida também é interessante. Ziggy Stardust é um astro do rock que vem do espaço, pra resumir. E David Bowie fazia as apresentações como se fosse o Ziggy. Ia vestido de Ziggy, e pensava como Ziggy, agia como Ziggy. Unindo-se o sucesso, o consumo excessivo de cocaína e esta paranóia mental, ele teve sérios problemas psicológicos, inclusive de personalidade.

Enfim, tentando resumir a ópera e fazer com que se entenda a história, eu resolvi criar O Guia Oficial para Apreciação Correta de Ziggy Stardust, e cá está ele, para o deleite de vocês, leitores. Clique aqui para fazer o download do guia. Nele, você irá encontrar uma breve explicação antes de cada música, a letra da música em inglês e a tradução para o português ao lado.

Aqui no Brasil, nós temos algumas versões de músicas do álbum. O grupo Nenhum de Nós emplacou um hit aqui no Brasil: Astronauta de Mármore, baseado na faixa 4: Starman. Outro artista que fez um trabalho incrível por aqui foi o Seu Jorge, fazendo várias versões de músicas do Bowie, entre elas a faixa 6: Lady Stardust, e a faixa 11: Rock ‘N’ Roll Suicide (além de outras músicas do Bowie de outros discos), muito bom!

Tenho a agradecer, os artigos da Wikipédia sobre o álbum e sobre cada música, bem como o site The Ziggy Stardust Companion e Teenage Wildlife. Por favor, tomem a liberdade de fazer o que bem quiserem com o meu pdf, ele não é mais meu: é do mundo.

Novo ringtone de Chinese Democracy (Guns N’Roses – Prostitute)

Bom, eu fiz um ringtone para quando chegarem mensagens de texto no seu celular. Não é todo dia que tem o Axl te avisando que aquele sms ixperto chegou.

Clique aqui para fazer o download do ringtone em mp3 (175kb)

Se você não entendeu, ele diz: ÔôÔôÔô-AAAh-ah-Ah-ah-Ah-Ah I got a message for Youu-UUU-U-hu.
O trecho é da última faixa do disco: Prostitute, e Sr. Rosa canta o 13º verso dela.

O que podemos aprender com Chinese Democracy

Foi finalmente lançado o novo álbum do Guns N’Roses. Chinese Democracy esteve em produção por 15 anos, e seu lançamento foi inúmeras vezes adiado. Como o título supõe, muita gente pensou que não sairia nunca. A maioria das vezes por problemas atribuídos à gravadora. Dizem por aí que o álbum custou 13 milhões de dólares, o que faz dele o álbum mais caro da história (e muito dificilmente terá algum lucro).

Abaixo está o que podemos aprender com este episódio da história do rock:

  • Não espere ficar perfeito para lançar. Não importa se é um álbum, um produto, um serviço, uma empresa, uma poesia, um livro, uma tese. Nada nunca ficará perfeito. Se você criou, dê um certo tempo, apare algumas arestas e bote a cara para bater. É como esperar todos os semáforos ficarem verdes antes de sair de casa.
  • O mundo muda rápido. Se você demora 15 anos pra lançar alguma coisa, qualquer coisa, há grandes chances de que o público irá receber muito diferente do que receberia 15 anos atrás. Depois da queda do muro de Berlim, o mundo nunca mudou tão rápido na história. CDs eram lucrativos há 15 anos.
  • Não crie expectativas tão altas. Eu não sou um fã doente do Guns, mas cá pra nós eles foram geniais em diversos aspectos. Este álbum é um álbum decente, tem umas duas ou três músicas ótimas, que provavelmente se tornarão hits, e tem outras medianas e algumas ruins, COMO (quase) TODO ÁLBUM! Mas a crítica foi demasiada dura com ele pela expectativa que se criou. Se este álbum tivesse sido lançado meio que na seqüência dos outros, não haveria todo este hype e as pessoas não esperariam tanto. As músicas teriam sido aceitas numa boa, e a vida teria seguido em frente. Quanto mais você adia e fica arrumando o que já está pronto, mais as pessoas pensarão que vai ficar bom.
  • Tenha um cronograma, e se comprometa com ele. Arte não é exata, claro que não. A produção de um álbum deve ter milhares de peculiaridades que eu nunca vou saber. Mas é um projeto. Projetos, percisam ter deadlines. Se meu TCC não tivesse uma data de entrega, eu poderia encontrar formas de enriquecê-lo indefinidamente, sempre tem algo a melhorar nas coisas. Eu sou a favor de lançar, e ver no que dá. Coloque o que tem de melhor, e pronto. Quando você pole muito, a obra pode se desintegrar.
  • Não menospreze o fator surpresa. A banda fez shows durante vários anos cantando algumas músicas que estão neste álbum “novo”. É engraçado ver a banda lançando um disco com músicas que já são velhas conhecidas. Catcher in the Rye vazou em 1999 (!). Nove anos antes do álbum. Vários leaks já rolaram na internet desde então, e quem é fã mesmo (que compra CD) já conhecia quase metade do CD antes do lançamento, a expectativa era a versão definitiva.
  • Seja uma pessoa fácil de se lidar. É inegável que a banda passou por vários problemas, perdendo integrantes e atrasando tanto no álbum por causa da personalidade de Axl Rose. Gênios geralmente são incompreendidos e tudo isso. O sucesso costuma amplificar a personalidade, quando ela já é ruim, acaba sempre em desastre. Se Axl fosse uma pessoa mais bacana e fácil de se conviver, talvez tivéssemos ainda Slash e Buckethead na banda. Não que eles sejam santos também, muito pelo contrário.
capa Chinese Democracy

Acho que é isso, de modo geral, eu gostei do álbum. Escutem Street of Dreams (antiga The Blues) e Chinese Democracy, que não vão se arrepender. Alguns não gostaram muito, mas eu adorei This I Love (Axl cantando ao som do piano) e AMEI Prostitute (não percam o ringtone grátis). Se não vão comprar o CD, pelo menos baixem e ouçam de algum jeito.

Abraços. Sexo e rock’n roll para todos nós!

Ah, vale também ler o que meu grande amigo Rodrigo RssV tem a dizer sobre o Chinese. O Antonio Rossa, a Wikipedia e a Rolling Stone também.