The tipping point – O ponto da virada (ou o ponto do desequilíbrio), de Malcolm Gladwell

Este é o primeiro de uma série de três posts, um sobre cada livro do autor Malcolm Gladwell.

Embora seu primeiro livro, The tipping point, tenha sido um best seller em 2000, eu não conhecia o autor até o ano passado. De lá pra cá li seus três livros, o que gosto de chamar de trilogia Gladwell (na verdade, acabei de inventar esse nome).

As características comuns a todos os seus livros são:

  • Não-ficção
  • O livro tem um ponto principal, e cada capítulo tem seu ponto específico que contribui para a noção do ponto principal
  • Em cada capítulo ele conta primeiro uma história real, e em seguida emenda com a teoria que quer explicar aplicada àquele caso, e faz o mesmo com algumas outras histórias reais, deixando tudo bem claro. Ou seja, o exemplo vem antes da teoria

Este estilo de escrever me cativou bastante, e a muitas pessoas. É difícil parar de ler, pois os assuntos são geralmente sobre temas interessantes e não-intuitivos.

1º livro: The tipping point – o ponto da virada (como pequenas coisas podem fazer uma grande diferença)

Tema central: como o próprio autor define: “O Ponto da Virada é a biografia de uma ideia, que é muito simples: a melhor maneira de compreender o surgimento de tendências da moda, o fluxo e refluxo das ondas de crimes, assim como a transformação de livros desconhecidos em best-sellers, o aumento do consumo de cigarro por adolescentes, os fenômenos da propaganda boca a boca ou qualquer outra mudança misteriosa que marque o dia-a-dia, é pensar em todas elas como epidemias. Ideias, produtos, mensagens e comportamentos se espalham como vírus.”

Pontos mais interessantes que me chamaram a atenção

Vila Sésamo (Sesame Street) – o autor explica todo o processo de criação deste grande sucesso mundial infantil. Os criadores não queriam apenas um programa para entreter crianças, mas um programa sem violência e educativo que conseguisse manter a atenção das crianças. Isso é um desafio muito grande, e Vila Sésamo conseguiu este feito, mas não por acaso. Eles testavam todos os programas medindo a atenção de crianças em projeções-teste. Não apenas faziam o programa e esperavam que fosse interessante. Foi um processo quase científico de criação, até que se tornasse a Vila Sésamo que conhecemos hoje.

O vertiginoso declínio da taxa de crimes em NY e a teoria das janelas quebradas – Gladwell conta em detalhes a situação da crmininalidade em New York nos anos 1980, e como a partir de 1990 a taxa de homicídios caiu rapidamente em dois terços. Ele atribui este efeito à teoria da janela quebrada: se alguém quebra uma janela e ninguém conserta, as pessoas que passam por ali percebem que ninguém se importa. Logo surgem novas janelas quebradas, e o clima de anarquia toma conta, e começa a se espalhar a outras áreas. Era isso que acontecia com New York nos anos 1980.  Os vagões de metrô da cidade eram todos pichados e quebrados, havia mendigos em demasia nas ruas e o clima de desordem era geral. Até que se iniciou um longo processo de restauração de tudo na cidade (por exemplo: todos os vagões de metrô pichados eram pintados no dia seguinte, de forma a nunca haver nenhum metrô pichado andando na cidade), o poder do contexto se encarregou de diminuir a criminalidade.

150, o número mágico – Os seres humanos possuem limites naturais em seu cérebro, o que os psicólogos cognitivos chamam de ‘capacidade de canal’. Por exemplo, em média, um ser humano é capaz apenas de identificar 6 tons sonoros diferentes de uma só vez, depois disso passa a se confundir e adivinhar, o mesmo acontece com testes em diferentes sentidos, como paladar e visão, e até mesmo temos uma capacidade de canal para sentimentos. É possível ter mais de 6 grandes amigos? É difícil, porém possível. Mas acima de 15 grandes amigos já há um sobrecarregamento, e não há mais tempo para dedicar a cada amizade, sendo que nos afastamos de alguns naturalmente. Outra capacidade de canal interessante é a social. O humano e os primatas possuem uma parte do cérebro (neocórtex) cujo tamanho é muito maior do que de outros mamíferos.  Depois de muitos estudos, chegaram à conclusão de que isso se deve ao tamanho dos grupos. Se você tem um grupo de 5 amigos, você precisa acompanhar 10 relacionamentos – o seu com estas 5 pessoas e mais os 4 de cada uma entre si. Mas se seu grupo tem 20 amigos, agora você precisa acompanhar 190 relacionamentos. Ou seja, mesmo um aumento pequeno no grupo significa uma sobrecarga cognitiva gigante. O cérebro humano parece ter um número mágico de relacionamentos que pode lidar: 150. Antropólogos sempre esbarram em suas pesquisas com o número 150, a média do número de pessoas nas tribos caçadoras primitivas de várias regiões do mundo é de próximo a 150, o número de soldados por unidade militar também (regra que não mudou mesmo com avanço nas telecomunicações). Ou seja, parece haver um limite social para cada espécie, e a do ser humano é de 150 indivíduos com quem podemos nos relacionar de forma natural.

Capítulos do livro

  1. As três regras que regem as epidemias
  2. A regra dos eleitos: Comunicadores, experts e vendedores
  3. O fator de fixação: Vila Sésamo, As pistas de Blue e o vírus educacional
  4. O poder do contexto (parte um): Bernie Goetz e a ascenção e queda do crime em Nova York
  5. O poder do contexto (parte dois): 150, o número mágico
  6. Estudo de caso: boatos, tênis e o poder da tradução
  7. Estudo de caso: suicídio, tabagismo e a busca de cigarro sem poder de fixação
  8. Conclusão: concentre-se, teste e acredite
  9. Pósfácio:  Lições de The tipping point no mundo real

Lições práticas de The tipping point

  • Há diferentes tipos de pessoa que podem transformar um produto/ideia em uma epidemia (comunicadores, experts e vendedores). Saiba identificar o seu papel ou a ausência dele e contrate ou se associe a pessoas que possuam estas características
  • O poder do contexto é muito forte. Conserte as coisas quebradas agora, não depois. Plantas morrendo no escritório, parede precisando de pintura, impressora quebrada. Todas estas coisas passam a mensagem do oposto de prosperidade e de descuido. Não deixe que a teoria da janela quebrada faça parte da sua vida
  • Como seres humanos, precisamos entender – e aceitar – mais a forma como somos feitos. Muita gente tenta lutar contra instintos básicos e racionalizar situações que não funcionam com a razão (como entender mulheres). Há ainda muito o que nossa biologia/fisiologia tem a nos ensinar
  • O ambiente nos influencia de forma definitiva. Sua casa/escritório é seu santuário, portanto crie um ambiente favorável à produtividade e paz. Tenha superfícies limpas, sem pilhas de livros e/ou papéis. Tenha sistemas que assegurem um dia calmo e tranquilo. O mundo lá fora pode não ser exatamente como você quer, mas atue no seu círculo de influência para que ele seja o mais ordenado e agradável possível.

Finalizando

O livro é muito melhor do que eu poderia fazê-lo parecer. Há muita coisa interessante e é delicioso de ler. Recomendo sem dúvida, vai fazê-lo enxergar o mundo de forma diferente. E embora sejam apenas teorias, há inúmeras lições práticas a se tirar dele, tanto nos negócios quanto na vida.

Link: comprar livro no Submarino.

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Alice, de Tim Burton – Review

Sou fã.

Li os dois livros mais de uma vez. Além de fã de Alice, sou fã de Tim Burton. Portanto, não preciso descrever minha situação quando adiaram a estreia de Alice no Brasil devido a Avatar nunca sair do IMAX.

SPOILERS – Cuidado!

Bom, chegou o dia, e hoje assisti Alice in Wonderland, de Tim Burton. Mais do que um filme sobre o livro, Burton utiliza Wonderland em outra fase da vida de nossa protagonista. Ela tem 18 anos e está prestes a casar. Está confusa, e não se sente preparada para tomar a decisão. Foge da realidade e visita Wonderland como forma de resolver este conflito pessoal.

Em Wonderland, Alice não lembra o que passou lá quando era criança. A história do filme é até simplista. Mas não a história que se passa nas entrelinhas.

No início, Alice não está pronta para enfrentar seus problemas. Não tem nem mesmo certeza se é Alice, e do que ela é capaz. Está sempre muito grande ou muito pequena, significando que cresceu demasiadamente rápido em relação a todos, mas ao mesmo tempo guarda a essência de criança. Parece nunca acertar seu tamanho de acordo com sua personalidade, tendo sempre esta imagem distorcida de si mesma.

O destino de Alice está traçado, e ela decide obedecer o que todos dizem que deve ser feito. Até que ela percebe que não é para os outros que ela precisa viver. Todos dão opinião, mas quem terá que matar o monstro é ela sozinha. Ninguém aparece para ajudar na hora H.

Alice se sente perdida na maioria das conversas, até que no final do filme ela encontra a iluminação. E a iluminação não é externa. Acontece dentro dela. Ela se sente pronta para realizar o seu dever ao mesmo tempo em que assume responsabilidade pelo seu destino. Se torna uma pessoa que não liga para o que a sociedade exige, e sim para o que ela mesma acredita ser seu dever e seu destino. Alice usa o País das Maravilhas como uma terapia para modelar sua mente para resolver problemas reais.

Alice utiliza conselhos do sábio, mas ele apenas aponta o caminho, é ela que precisa andar por ele. A escolha de Alice é de enfrentar seu monstro e reconhecer seu poder que estava em algum lugar fora de onde ela encontrava.

Alice é uma típica pessoa que não acreditava em si mesma, mas que exposta à situação estimulante correta vai em busca desse poder interior e o exterioriza de forma muito clara. Ela é a messias de seu sonho. Ela é a protagonista de sua história.

Tudo isso a ajuda em sua vida real. Se todos tivessem o mesmo poder de imaginação de Alice, psicólogos e suas terapias ficariam obsoletos.

Podcast #1 – Entrevista com Miguel Cavalcanti

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Sejam bem-vindos ao primeiro podcast do Imperator’s Blog.

Nossos podcasts consistem em uma série de entrevistas com pessoas que tenham a ver com o conteúdo do blog: administração, marketing, lifehacking, arte, produtividade, filosofia, formas não-convencionais de ver o mundo e tudo isso misturado.

Nosso primeiro entrevistado é Miguel Cavalcanti, sócio-proprietário da AgriPoint/BeefPoint, engenheiro agrônomo, empreendedor, blogueiro, maratonista, palestrante, especialista em marketing e muitas outras coisas.

A conversa tem 52 minutos e 3MB. Ouça o podcast aqui embaixo clicando em play ali em cima ou faça o clique aqui para fazer o download do arquivo em mp3.

Abaixo coloco as citações interessantes da conversa, e o link de recomendações de sites e livros.

“Foi nos EUA que ouvi pela primeira vez na vida: ‘Você nunca vendeu nada na sua vida? Se esforce para vender alguma coisa antes de se formar.’ Vender é importante. E na faculdade de agronomia, vendas era palavrão.”

“Ir atrás de temas ou de assuntos que estão ‘relativamente’ fora do seu dia-a-dia consegue te diferenciar muito. Muito da inovação vem de conseguir juntar duas coisas que já existem numa coisa só.”

É possível obter informações de outros setores e aplicar ao seu negócio.

A empresa: Agripoint

O negócio da Agripoint é o de comunidades do agronegócio, com portal de conteúdo, acesso gratuito mediante cadastro. Conteúdo específico sobre o setor.

O produto básico é o portal. Maior parte do faturamento: publicidade para empresas que vendem algum tipo de serviço/produto para o público que acessa os sites. Realiza também cursos online, desenvolvido por especialistas na área.

Realização de eventos: o principal congresso sobre a parte técnica de gado de leite do Brasil é a empresa que organiza. Além de desenvolver o evento, tem a mídia para divulgá-lo.

Hoje a empresa também dá palestras sobre mercados, com análises e resumos sobre o setor. Perspectivas, oportunidades, desafios etc.

Alguns destes caminhos ele sabia desde o começo, alguns caminhos vão sendo descobertos por acaso. E eventualmente se tornam em importante fonte de receita para a empresa. O mesmo acontece comigo na DOC-DOG hoje.

Área de atuação do Miguel na empresa

Atua na supervisão de conteúdo dos portais, no marketing (operacional e estratégico), dá suporte a área de contratação e seleção.

Hoje a empresa está cruzando o vale da diferença entre pessoa física e pessoa jurídica. No começo, dependia muito da presença física dos sócios, hoje menos, e para o futuro quer reduzir ainda mais esta necessidade. A mudança tem sido grande nos últimos dois anos.

Sobre qualidade de vida

A produtividade está diretamente relacionada à qualidade de vida. Recomendação de livro: Mais Tempo Mais Dinheiro, de Christian Barbosa e Gustavo Cerbasi.

O subproduto da corrida é ter uma boa forma, mas o principal resultado é mental.

Ouve músicas ao correr, ou audiolivros. Várias vezes, correndo é que teve idéias, e geralmente é correndo que organiza os pensamentos. É um momento de inspiração, pensamentos e reflexões.

Ajuda na capacidade de resiliência (endurance). Recomendação de livro:  My Start-Up Life, de Ben Casnocha. Algumas coisas podem ser transportadas pra outros setores da vida, como a resiliência na corrida pode virar resiliência nos negócios.

Correr ajuda a desenvolver a capacidade de se abalar pouco com problemas, e se focar na resolução em vez de problemas. Ninguém te colocou naquela situação. A única opção é subir a subida, não adianta reclamar, nem chorar.

Conselhos para um jovem empreendedor

Leia muito. Tem muita coisa boa disponível na literatura. A maior parte dos problemas que você passa, é possível que alguém já tenha passado, e escrito sobre isso.

Aprenda o conceito do porco-espinho (do livro: Good to Great, Jim Collins): conseguir reunir três características: algo que você faz muito bem, que você gosta muito de fazer, e que tenha um mercado (alguém querendo pagar por isso).

Recomendação de livro: The Dip, do Seth Godin (já falei sobre o livro neste post). A trajetória do sucesso não é linear. O sucesso demora pra chegar. Persista para atravessar o vale, e aprenda a desistir quando o esforço não vale a pena. “A diferença entre teimosia e persistência é muito tênue”. “Escolha qual briga você quer brigar, mas saiba que a luta não vai ser curta”.

Sobre a importância de ter presença online

Principalmente em áreas que não sejam de informática. Para quem trabalha com outras áreas, é ainda mais diferencial ter presença online.

O blog, pra mim, é um lugar que eu tenho minhas reflexões. Capacidade de encontrar pessoas que possuem o interesse parecido com o seu. Pessoas interessantes te encontram pelo blog, e não te encontrariam de outra forma.

“Não tenha um curriculum, tenha um blog.”

3 Livros que mudaram a vida do Miguel

4 sites/blogs que o Miguel recomenda

Encontre o Miguel

Blog: blog.miguelcavalcanti.com
Twitter: @mcavalcanti
Site da empresa: agripoint.com.br

Gostou da entrevista? Tem alguém pra sugerir para as próximas edições? Deixe seu comentário abaixo.

Watchmen – a graphic novel mais aclamada de todos os tempos

Recentemente, tive a grande oportunidade e prazer de ler Watchmen, uma graphic novel de 12 episódios, escrita por Alan Moore (Do Inferno, A Liga Extraordinária, Constantine, V de Vingança, entre outros) e desenhada por David Gibbons.

Watchmen tem uma história densa, multifacetada e profunda. Foi publicada em capítulos no final dos anos 1980, e é nesta época que a história acontece, época em que a Guerra Fria beirava a Guerra Nuclear. Neste universo, os heróis fantasiados/mascarados foram criminalizados, não é mais permitido ser um vigilante, alguns deles mudaram de vida, outros trabalham escondidos, e outros até viraram agentes do governo.

Bom, abaixo os pontos que mais me chamaram a atenção: Continuar a ler

10 razões para ler e amar Sherlock Holmes

Se você ainda não teve a oportunidade ou o interesse em ler Sherlock Holmes, você está perdendo muito. Quando tocamos no nome Sherlock Holmes, geralmente o primeiro pensamento que vem à mente é o de tédio. É claro que este é um tipo de pensamento típico dos não-leitores. Quem conhece sabe que Sherlock é cheio de aventuras, um cara muito físico, lutador de boxe, sai na porrada com os bandidos, tem um humor inglês delicioso, ludibria clientes, zomba os policiais da Scotland Yard, decide não entregar à polícia crimonosos com os quais simpatiza, é usuário de drogas ilícitas. Enfim, somente alguns fatos que já servem pra tirar um pouco a imagem de homem metódico, chato e tedioso que o nome Sherlock Holmes passa.

Tendo isto em mente, tratarei neste texto de insights que tive sobre Holmes e sua trajetória de sucesso.

1. Ele é o melhor do mundo no que faz. Já tratei em outros posts sobre a importância de ser o melhor do mundo. Sherlock atende a todos os tipos de cliente, desde pessoas que moram perto até reis e rainhas de países próximos. Ele é procurado porque é o melhor do mundo. Quando alguém tem um caso insolúvel, quem chamar? O detetive mais barato, a polícia que é de graça, ou o melhor detetive do mundo? Quanto você acha que o cliente está disposto a pagar para resolver um caso impossível?

2. Ele é um mestre do marketing pessoal. Nesta parte, seu estimado companheiro de apartemento e melhor amigo Watson o ajuda um bocado. Watson é que escreve as histórias de Holmes e as publica em folhetins, ele comunica ao mundo os casos interessantes que viveu. Sem esta exposição, dificilmente Holmes teria alcançado a fama que obteve. A profissão de Holmes é sempre alvo de curiosidade, e ceder a essa sede do público lhe rendeu muitos clientes e uma fama inédita para um detetive.

3. Ele é um ótimo comunicador. Em muitos episódios ele se disfarça para conseguir o que quer. Desde vestir-se de mendigo até se disfarçar de entregador de leite e seduzir a empregada da família que está investigando. Ao final de cada caso, ele conta explicitamente como utilizou seu incrível poder de dedução para ver além do óbvio aos olhos comuns. Holmes gosta sempre de uma boa história.

4. Ele é apaixonado pelo que faz. Certas vezes, Holmes atua em casos que simplesmente não fazem sentido financeiramente. Percebe-se, etretanto, que ele ama utilizar seu poder de raciocínio para fazer o bem, não importa muito se vai ganhar muito ou pouco dinheiro, ele é movido por sua missão e por seu interesse intelectual. Muitas vezes a história rende experiência e indicações que geram renda indiretamente. A paixão faz você se dedicar completamente àquilo. Sem paixão, ninguém vira o melhor do mundo em nada.

5. Ele é um monotasker, faz uma coisa de cada vez. Holmes nunca cuida de dois casos de uma vez. Ele faz questão de se focar e de dedicar-se absolutamente em cada caso. Fernando Pessoa já dizia: “para ser grande, sê inteiro  (…) põe quanto és no mínimo que fazes (…) Assim em cada lago a lua toda / brilha, porque alta vive.”. Holmes coloca tudo de si em cada caso. Ele não tem limites geográficos ou de horário. Simplesmente ele se doa a cada caso, e por isso brilha em todos os lugares.

6. Ele é um gentleman. Como toda boa literatura inglesa, Sherlock Holmes nos ensina a ter classe. O jeito como se porta, e a forma como trata com as pessoas dá a Holmes uma aura muito refinada, afinal se você lida com a nobreza, deve no mínimo se comportar parecido com ela, para ganhar seu respeito. Não é coincidência que o autor é um Cavaleiro do Império BritânicoSir Arthur Connan Doyle. Com Sherlock eu aprendi que classe e educação refinada não necessariamente tiram a espontaneidade e senso de humor que nós brasileiros adoramos.

7. Ele entrega mais que o esperado antes do esperado. É comum nas histórias, Holmes finalizar o caso quando menos se espera, e enquanto o cliente espera respostas e teorias para o diamante roubado, ele já tem o diamante para entregar de volta ao dono. Com este feeling de encantar o cliente que todo empresário e marketeiro deveria ter antes de tudo, Sherlock foi longe.

8. Ele se organiza incrivelmente bem. Às vezes é difícil acreditar que estamos lendo uma história do final do século XIX, pois ele utiliza o sistema ferroviário, naval, de coches e de telegramas, entre outros sistemas, de forma bem avançada. Ele traça toda  a logística da operação e executa perfeitamente, sempre naquela pontualidade britânica, que é difícil de acreditar. No Brasil, ainda hoje, é difícil saber que horas vai chegar o trem no destino. Mais de 100 anos atrás, Sherlock já sabia… Ah, e a Baker Street já era asfaltada(!).

9. Ele é divertido. É claro que Sherlock sabia que era o melhor do mundo, e demonstrava certa petulância quanto a isso, outro traço interessante de sua personalidade. Mas nunca deixa de tecer seus comentários irônicos, contar suas histórias divertidas ao Watson, fazer surpresa para seus clientes (como devolver uma jóia roubada dentro de um leitão assado), fazer graça com os policiais da Scotland Yard, dentre muitas outras estripulias. Sherlock Holmes tem aquele brilho nos olhos que só quem ama a vida pode ter.

10. Ele é um mega clássico. Todo livro (ou conjunto de contos, neste caso) que vira clássico,  vira clássico por algum motivo. Vá descobrir! O clássico geralmente é pouco suscetível ao passar do tempo, pois estão ali inclusos valores universais e atemporais. É como Super Mario World, ou Sgt Pepper’s. Sherlock Holmes me dá vontade de ter vivido um pouquinho na Londres da época, e entre outros livros me fez ter vontade de dar um pulinho por lá.

Enfim, esta foi a minha tentativa de te colocar na direção de uma obra incrível e que merece ser cultuada nos dias de hoje. Este ano, teremos um filme de Sherlock Holmes dirigido pelo fantástico Guy Ritchie (Downey Jr viverá o detetive), que promete acabar com as frescuras vitorianas e mostrar o verdadeiro Sherlock, com muita ação e diversão,  sem chatices. É o que o mundo realmente precisa pra amar o detetive bonachão.

E você, caro leitor, que depois de ler este post, ficou com vontade de absorver tudo o que esta beleza de obra tem a lhe oferecer, aproveite e visite outras  fontes muito boas, como o artigo da Wikipédia (principalmente em inglês), o site Sherlock Holmes Brasil (que tem uma trilha sonora ótima), o Mundo Elementar, Mundo Sherlock, lendo os textos originais em inglês ou em português ou comprando o livro.

Falando em feliz, Feliz 2009.