Por que nunca na história da humanidade foi tão fácil empreender

A pedidos, escrevo os motivos de porque nunca na história da humanidade foi tão fácil ser um empreendedor como hoje.

Baixa Idade Média – O Feudalismo
Na Idade Média, os poderosos eram os nobres. Os chamados senhores feudais detinham poder sobre as terras, o Rei era mais ou menos como um síndico dos nobres, encarregado de administrar o Reino, principalmente no que rege ao militarismo. Os filhos dos nobres eram treinados para ser militares (cavaleiros) e defender os feudos do papai e dos amigos do papai, ou iam para a Igreja e tornavam-se sacerdotes (a forma da época de ser intelectual). Era um dos dois destinos. Se você nascia nobre, morria nobre, se você nascia servo, morria servo. Os servos trabalhavam nas terras dos senhores feudais em troca de moradia, comida e proteção. Eles cultivavam a terra do senhor feudal, e podiam ficar com uma pequena parte da produção para sobreviver. Ou seja, nesta época quem tinha a terra tinha o poder. E como o rei era quem dava as terras, era muito improvável que qualquer pessoa pudesse empreender qualquer coisa, tendo nascida servo.

Alta Idade Média – A Burguesia
Algum tempo depois, surgiam as classes de comerciantes e artesãos. Eles  começaram a se comunicar e a juntarem-se para se protegerem dos saqueadores. Ergueram muros em volta de suas cidades, que ficaram conhecidas como burgos. Esta foi a semente do capitalismo como o conhecemos hoje, onde as trocas eram feitas utilizando dinheiro. Hoje em dia, o termo burguês traz à mente alguém de alto padrão social, entretanto, os burgueses da época eram pobres artesãos, que trabalhavam muito para sustentar-se. Quem tinha a terra é que produzia os alimentos, portanto a terra ainda era a base do poder. A Igreja, reforçada por sua política de celibato dos padres, arrebatava muitas heranças e era dona da maioria das terras à época (e ainda é, só perdendo para o McDonald’s). Com o tempo os burgueses irão acumular cada vez mais dinheiro, vindo eventualmente a tomar o poder.

Século 18 – A Revolução Industrial
Culminando em grandes transformações na produção, com processos tecnológicos bem mais avançados, que permitiam-se produzir em escala, iniciou-se a Revolução Industrial, sendo a Grã-Bretanha pioneira. Aconteceu nesta época uma grande troca de poder, das mãos de quem tinha terras para as mãos de quem tinha o capital. A Revolução Francesa nada mais é do que a revolução dos burgueses na França. Com dinheiro no bolso, veio o poder. E esta lógica industrial se manteve durante todo o século 19 e 20. Quem possuía o capital, possuía o poder de criar indústrias, e com elas se ganhava mais capital, que trazia a possibilidade de ficar ganhar mais poder e mais dinheiro. É claro que o Brasil ainda estava atrasado neste processo, estou tomando como base os pioneiros no mundo.

Final do Século 20 – A queda do muro de Berlim e o nascimento da Internet
A queda do muro de Berlim é considerada o marco do fim da Era Industrial. Ali nascia a Era da Informação. Tínhamos meios de comunicações em massa, e logo surgiria a internet. O mundo da indústria havia se transformado em um mundo de serviços. E essa tendência se manteve (já em 2002, o setor de serviços representa mais de 52% do PIB). Mas mesmo no mundo de serviços do final do século 20, para empreender você necessitava de um ponto comercial que lhe desse visibilidade e facilidade de acesso por parte dos clientes, ou um escritório para atendê-los, fazer anúncios em jornais, entrar na lista de espera para obter uma linha telefônica (ou comprá-lo no mercado negro), entre outras dificuldades que a gente só vê hoje.

Século 21 – A verdadeira Era da Informação
Hoje em dia, para empreender você não precisa mais do que uma idéia. Com a internet, você pode abrir o site de sua empresa praticamente sem custos, tendo visibilidade mundial, com infinita inclusão de conteúdo. Você não precisa de um ponto comercial ou escritório, pode trabalhar de casa mesmo. Não há fronteiras para a atuação (por exemplo: esta semana, precisava de um designer para fazer a papelaria da doc-dog, contratei serviços de um designer paquistão – o que é ótimo, pois ele trabalha esta semana de natal!). Hoje você pode comprar uma linha de telefone Skype com o DDD de Tóquio, se quiser. Os meus planos são de expandir a Doc-Dog pela Europa, recebendo em euros e mantendo os custos da empresa aqui em São Paulo, em reais. Isso só é possível graças à tecnologia da informação. Este tipo de presença virtual era inconcebível há até pouco tempo atrás.

É claro que estas regras não funcionam para todos os tipos de negócio. Se você quiser abrir um comércio tradicional, a locação física ainda é um fator importante. Para abrir uma indústria, ou uma prestadora de serviços que exija um equipamento mais pesado, será necessário capital para comprá-los. E empresas que necessitam de pessoal, especialmente qualificado, pode ser inviável de abrir da forma acima descrita. Todavia, mesmo nestes casos, existem soluções. Investidores dispostos a investir em bons planos de negócios backupeados por bons gestores, angels investors, sócios capitalistas, bancos de investimento, e muitas outras opções. No Século 21, mais do que a informação, a vontade de fazer e o espírito empreendedor são os fatores necessários para abrir uma empresa e ter sucesso.

Portanto, em mais de 10 mil anos, você está na melhor época da história da humanidade para empreender. Vai botar pra fazer ou vai continuar dando desculpas?

5 razões para abrir seu negócio próprio em 2009

Nunca foi tão fácil e tão barato abrir uma empresa. Não é fácil administrar uma empresa, nem mantê-la financeiramente saudável. Não é fácil vender, e gerenciar pessoas, não é fácil criar processos, e entregar um bom serviço. Mas é fácil abrir uma empresa. Você não precisa de muito capital, nem precisa de um lugar, você pode trabalhar em casa, com seu computador e seu telefone, e provavelmente você já tem os dois.

Então, por que você ainda não abriu uma empresa? O país está precisando de você para criar novos empregos, pagar mais impostos, e os clientes precisam de você pra resolver aquele problema que eles precisam que alguém resolva. Por que não ser a melhor escolha do mundo para um determinado problema?

Dizem que de cada 10 empresas, 9 quebram nos primeiros cinco anos. Bom, isso também quer dizer que de cada 10 empresas, uma obtém sucesso. Se eu precisasse falhar 9 vezes para ter sucesso em uma delas, e essa uma pagasse as nove que eu falhei, por que não?

Eu criei minha empresa atual em 2007, e provavelmente ano que vem, ela se expandirá pelo exterior, e eu tirarei férias, e depois acabarei criando outra. Apresento aqui, 5 razões para se abrir uma empresa no começo de 2009:

1. Aprendizado – Você aprenderá muito mesmo abrindo uma empresa. Aprenderá a importância do fluxo de caixa, aprenderá a vender, aprenderá a lidar com pessoas (clientes e funcionários), aprenderá que você não pode fazer tudo sozinho, aprenderá a priorizar, aprenderá a ser mais produtivo e mais organizado. Esta foi a minha experiência. Provavelmente aprendi muito mais que isso, mas deu pra pegar a idéia. Se você é um estudante ou formado em Adm, então, já deveria ter aberto ontem.

2. Ganhos ilimitados – A escada corporativa é um longo caminho a se seguir. Por que não ser o CEO da sua recém-criada empresa? Ela pode dar muitos frutos, e você não tem limite de ganhos. Quanto melhor trabalhar (veja que eu usei a palavra melhor, e não mais duro ou mais tempo), mais são seus ganhos potenciais. É bom esclarecer que você não fica rico do dia pra noite por ser dono de uma empresa. Especialmente no começo, você terá que conter sua fome de dinheiro pra não prejudicar a empresa. Pai Rico já dizia, “eu recebo por último porque eu quero receber mais que todo mundo”.

3. Liberdade – Este é um conceito bem subjetivo. É verdade que você passa a trabalhar nos horários que quiser, e que pode dormir até um pouco mais tarde. A verdade é que geralmente acaba-se trabalhando mais. A responsabilidade é muito maior, então pra salvar sua pele, você trabalha como um louco. As noites não pertencem mais a você, e sim à empresa. Passando este começo, e aprendendo a administrar bem, é possível aproveitar sua liberdade bem mais. Não tem nada no mundo que pague a possibilidade de tirar um cochilo depois do almoço, ou resolver não trabalhar nesta ou naquela sexta-feira.

4. Respeito – Quando você tem sua empresa, do dia pra noite você vira uma espécia de figura notável. Todo mundo admira o seu espírito empreendedor, as mulheres te olham de outra forma, sua mãe conta com gosto pras amigas dela que tem um filho empresário, os seus tios começam a te chamar de patrão etc. É engraçado. Eu acho válido este tipo de visão. É claro que nem todo mundo que cria uma empresa é uma pessoa respeitável. Existem muitas empresas ruins com donos ainda piores. Mas alguém que teve uma idéia legal (essa é a parte mais fácil) e tomou a iniciativa de fazer alguma coisa pra que ela virasse real, de certa forma merece esse incentivo social. Este tipo de influência que você ganha pode ser o primeiro passo pra conseguir estabelecer melhores relacionamentos interpessoais, e pode ser usado pra melhorar sua vida e a daqueles à sua volta.

5. É divertido! – É também assustador de vez em quando, mas é muito divertido iniciar o seu negócio, ver ele crescendo, conseguir fechar aquela venda. Eu costumo comemorar quando atinjo algumas metas. É mais divertido ainda quando você tem um sócio (eu tinha um no começo), porque pode dividir com alguém o entusiasmo de cada passo em direção ao cresciimento e ao sucesso. Não é divertido o tempo todo, claro que não. Mas nenhum trabalho é divertido o tempo todo, imagino.

Não se iluda com este post, abrir uma empresa não é como comer um bolo de chocolate. Tem a parte difícil, chata, cansativa, assustadora, tediosa e algumas outras. Mas eu sou um apaixonado por empreendedorismo e acho que não há motivos neste mundo para não abrir a sua empresa. Se você quiser, é claro. Gerenciar uma empresa não é pra todo mundo, mas se você tem vontade, pare de pensar e aja!

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