Porque não somos racionais

A maioria de nós, adultos, sabemos como deveríamos nos comportar. Não deveríamos abusar do álcool, e muito menos dirigir depois disso, deveríamos comer bem, e nos exercitar, e ler, e acordar talvez mais cedo, ou ir dormir mais cedo, ou acordar mais tarde, e ajudar em alguma causa social importante na qual acreditamos, gastar menos do que ganhamos e muito mais. Mas a maioria de nós, adultos, não faz nada disso.

Por que esta discrepância tão grande entre o que fazemos e o que sabemos que seria correto fazer? Porque não somos racionais.

A psicologia comportamental trata de estudar por que os humanos se comportam como se comportam, e há alguns estudos interessantíssimos com relação a isso.

Alguns exemplos:

  • Doação de órgãos é opcional em todos os países civilizados. Mas em alguns países, para ser doador, você precisa se manifestar. Em outros, você deve se manifestar se não quiser ser doador. Esta simples diferença é capaz de modificar a porcentagem de doação de órgãos radicalmente.
  • No Brasil, pagar o INSS é obrigatório. Nos EUA, você tem que se inscrever no seu plano de aposentadoria chamado 401(k), onde você deposita uma quantia, e o empregador faz um depósito equivalente, ou seja, você dobra seu dinheiro, é dinheiro de graça. Mesmo assim, por precisar se inscrever, muita gente não o faz.

Detalhes tão pequenos quanto não ter uma caneta na hora ter que ir até o correio para enviar um envelope podem fazer algumas pessoas perderem centenas de dólares. Pessoas transam sem camisinha porque não possuem nenhuma em casa. Se a menina andasse sempre com uma na bolsa, esse problema acabaria, mas o que vão pensar dela?

O importante deste tipo de descoberta é que se sabemos que não fazemos exatamente tudo o que achamos certo fazer, o correto seria nos preparar para automatizar ao máximo nossas boas ações.

Colocar o chocolate do outro lado da casa, enquanto saladas e frutas ficam sempre à mão, pode ser uma ótima forma de comer melhor. Planejar e ter sempre em casa coisas saudáveis, evita que pedidos de pizza de madrugada por não ter nada na geladeira. Fazer um agendamento automático no seu internet banking para que 10% do seu salário vá imediatamente para a poupança no dia em que ele cai é uma forma de evitar não ter reservas, porque se esperar o final do mês, já era.

Se você gostou do assunto, recomendo assistir a esta palestra de 17 minutos de Dan Ariely, autor de Previsivelmente Irracional, sobre o tema. Ligue a legenda em português e divirta-se. Outra recomendação é este post (em inglês) completíssimo de Ramit Sethi, sobre psicologia comportamental aplicada às finanças pessoais.

de Ramit Sethi

Como fazer um controle de fluxo de caixa diário simplificado em sua empresa

Muitos empreendedores e donos de pequenas empresas têm problemas financeiros. Alguns só percebem porque os cheques começam a voltar, e não possuem caixa pra pagar os funcionários ou fornecedores. Às vezes a empresa está até mesmo tendo lucro, mas há defasagem no caixa, fruto de um ciclo financeiro inadequado. Neste artigo, vamos tentar cobrir um pouco disso tudo, e ainda tentar ensinar como fazer um controle de fluxo de caixa simplificado.

Em 2005, entrei no Mackenzie para cursar Administração de Empresas, e durante o primeiro ano de faculdade pensava que o meu forte era Finanças. Eu tinha um pouco de leitura no assunto, mais do que os meus colegas na época, mais sobre filosofia de finanças, e não tanto a parte técnica, e mais finanças pessoais (a propósito, veja por que você precisa de um orçamento) do que empresariais. De lá pra cá, meu foco mudou completamente. Hoje minhas paixões empresariais são o Marketing, o Planejamento Estratégico e o Empreendedorismo.

O Fluxo de Caixa
O fluxo de caixa é importantíssimo para uma empresa, porque ela depende de dinheiro para sobreviver e continuar funcionando. Mas não é só quanto de dinheiro entra e quanto de dinheiro sai que importa, mas também quando esse dinheiro entra e sai do caixa da empresa. Continuar a ler

Por que nunca na história da humanidade foi tão fácil empreender

A pedidos, escrevo os motivos de porque nunca na história da humanidade foi tão fácil ser um empreendedor como hoje.

Baixa Idade Média – O Feudalismo
Na Idade Média, os poderosos eram os nobres. Os chamados senhores feudais detinham poder sobre as terras, o Rei era mais ou menos como um síndico dos nobres, encarregado de administrar o Reino, principalmente no que rege ao militarismo. Os filhos dos nobres eram treinados para ser militares (cavaleiros) e defender os feudos do papai e dos amigos do papai, ou iam para a Igreja e tornavam-se sacerdotes (a forma da época de ser intelectual). Era um dos dois destinos. Se você nascia nobre, morria nobre, se você nascia servo, morria servo. Os servos trabalhavam nas terras dos senhores feudais em troca de moradia, comida e proteção. Eles cultivavam a terra do senhor feudal, e podiam ficar com uma pequena parte da produção para sobreviver. Ou seja, nesta época quem tinha a terra tinha o poder. E como o rei era quem dava as terras, era muito improvável que qualquer pessoa pudesse empreender qualquer coisa, tendo nascida servo.

Alta Idade Média – A Burguesia
Algum tempo depois, surgiam as classes de comerciantes e artesãos. Eles  começaram a se comunicar e a juntarem-se para se protegerem dos saqueadores. Ergueram muros em volta de suas cidades, que ficaram conhecidas como burgos. Esta foi a semente do capitalismo como o conhecemos hoje, onde as trocas eram feitas utilizando dinheiro. Hoje em dia, o termo burguês traz à mente alguém de alto padrão social, entretanto, os burgueses da época eram pobres artesãos, que trabalhavam muito para sustentar-se. Quem tinha a terra é que produzia os alimentos, portanto a terra ainda era a base do poder. A Igreja, reforçada por sua política de celibato dos padres, arrebatava muitas heranças e era dona da maioria das terras à época (e ainda é, só perdendo para o McDonald’s). Com o tempo os burgueses irão acumular cada vez mais dinheiro, vindo eventualmente a tomar o poder.

Século 18 – A Revolução Industrial
Culminando em grandes transformações na produção, com processos tecnológicos bem mais avançados, que permitiam-se produzir em escala, iniciou-se a Revolução Industrial, sendo a Grã-Bretanha pioneira. Aconteceu nesta época uma grande troca de poder, das mãos de quem tinha terras para as mãos de quem tinha o capital. A Revolução Francesa nada mais é do que a revolução dos burgueses na França. Com dinheiro no bolso, veio o poder. E esta lógica industrial se manteve durante todo o século 19 e 20. Quem possuía o capital, possuía o poder de criar indústrias, e com elas se ganhava mais capital, que trazia a possibilidade de ficar ganhar mais poder e mais dinheiro. É claro que o Brasil ainda estava atrasado neste processo, estou tomando como base os pioneiros no mundo.

Final do Século 20 – A queda do muro de Berlim e o nascimento da Internet
A queda do muro de Berlim é considerada o marco do fim da Era Industrial. Ali nascia a Era da Informação. Tínhamos meios de comunicações em massa, e logo surgiria a internet. O mundo da indústria havia se transformado em um mundo de serviços. E essa tendência se manteve (já em 2002, o setor de serviços representa mais de 52% do PIB). Mas mesmo no mundo de serviços do final do século 20, para empreender você necessitava de um ponto comercial que lhe desse visibilidade e facilidade de acesso por parte dos clientes, ou um escritório para atendê-los, fazer anúncios em jornais, entrar na lista de espera para obter uma linha telefônica (ou comprá-lo no mercado negro), entre outras dificuldades que a gente só vê hoje.

Século 21 – A verdadeira Era da Informação
Hoje em dia, para empreender você não precisa mais do que uma idéia. Com a internet, você pode abrir o site de sua empresa praticamente sem custos, tendo visibilidade mundial, com infinita inclusão de conteúdo. Você não precisa de um ponto comercial ou escritório, pode trabalhar de casa mesmo. Não há fronteiras para a atuação (por exemplo: esta semana, precisava de um designer para fazer a papelaria da doc-dog, contratei serviços de um designer paquistão – o que é ótimo, pois ele trabalha esta semana de natal!). Hoje você pode comprar uma linha de telefone Skype com o DDD de Tóquio, se quiser. Os meus planos são de expandir a Doc-Dog pela Europa, recebendo em euros e mantendo os custos da empresa aqui em São Paulo, em reais. Isso só é possível graças à tecnologia da informação. Este tipo de presença virtual era inconcebível há até pouco tempo atrás.

É claro que estas regras não funcionam para todos os tipos de negócio. Se você quiser abrir um comércio tradicional, a locação física ainda é um fator importante. Para abrir uma indústria, ou uma prestadora de serviços que exija um equipamento mais pesado, será necessário capital para comprá-los. E empresas que necessitam de pessoal, especialmente qualificado, pode ser inviável de abrir da forma acima descrita. Todavia, mesmo nestes casos, existem soluções. Investidores dispostos a investir em bons planos de negócios backupeados por bons gestores, angels investors, sócios capitalistas, bancos de investimento, e muitas outras opções. No Século 21, mais do que a informação, a vontade de fazer e o espírito empreendedor são os fatores necessários para abrir uma empresa e ter sucesso.

Portanto, em mais de 10 mil anos, você está na melhor época da história da humanidade para empreender. Vai botar pra fazer ou vai continuar dando desculpas?