A falácia da felicidade que vem de dentro

Não é novidade que nosso estado interno se reflete no exterior.
Quando você está triste, provavelmente anda cabisbaixo e calado, e raramente sorri.

A verdade é que o caminho contrário é igualmente verdadeiro e muito pouco utilizado.

Quem sorri mais (sim, mesmo sorriso forçado), se sente mais feliz.
Por que não utilizar truques assim para melhorar seu dia?

Se tivesse

Truques para o curto prazo:

  • Arrumar a cama (senso de realização numa tarefa de um minuto)
  • Sorrir (ativar os músculos do sorriso mandam um sinal ao cérebro de que você está mais feliz)
  • Ver o sol (lugares iluminados e ensolarados aumentam a felicidade)
  • Vestir cores claras e vibrantes (cores vibrantes ou branco melhoram nosso humor)
  • Plantas (não serve planta morrendo ou seca, jogue estas fora)
  • Olhar para o horizonte (relaxa os músculos ciliares, que controlam o foco do olho)
  • Fechar os olhos e respirar fundo (aumentar a oxigenação no cérebro alivia o stress)
  • Ouvir uma música que te deixe pra cima (evite músicas negativas ao máximo, mesmo que goste bastante delas)
  • Aumentar as luzes da sua casa (lugares pouco iluminados trazem sensação de decadência)
  • Arrume as coisas no momento em que quebrarem, ou as jogue fora (paredes descascadas, plantas mortas, aparelhos quebrados e juntando poeira, você acha que isso não afeta nem um pouco o seu bem estar?)

Dicas para aumentar a felicidade no longo prazo:

  • Coma bem
  • Exercite-se
  • Durma bem (meu sonho é abolir o despertador)
  • Tenha várias fonte de contentamento. Não seja aquele cara cuja vida acaba quando termina um relacionamento, ou se algo no trabalho vai muito mal. Tenha opções para se sentir bem, faça um esporte que goste, tenha projetos paralelos
  • Cultive hobbies (pessoas sem hobbies tendem a se focar em minúcias irrelevantes sobre qualquer que seja seu problema do momento. faça o que puder para resolvê-los, mas não pense em excesso sobre eles)

É claro que a questão da felicidade é muito mais complexa e profunda do que este breve e superficial post. Estas dicas não são a solução, apenas truques para lidar com um dia ruim: Happiness boosters. Mas não chegamos ao pré-sal sem antes descobrirmos o subsolo.

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Removendo a fricção

Já percebeu como é fácil pagar algo no McDonald’s? Como o dinheiro muda de mãos em segundos?

Hoje eu consigo comprar um livro na Amazon com um clique, porque eles já possuem meus dados do cartão de crédito e a minha permissão para cobrá-lo. O livro eletrônico chega ao meu alcance em questão de segundos.

Quão difícil é para você ir na academia? Ela é próxima da sua casa? Você tem roupas suficientes para ir? Tem lugar para estacionar o carro? Dá pra ir a pé? E em dias chuvosos?

Se você precisa sair de casa e andar por 20 minutos para ir ao restaurante super saudável, meu palpite é que você vai acabar indo na padoca ao lado e comer uma coxinha com muito mais frequencia.

Se você quer mudar algum comportamento, não exija demais da sua força de vontade. Ela é um recurso limitado e que deve ser economizado ao máximo. Em vez disso, você pode criar sistemas que ajudem a fazer o que precisa. E se você comprar a salada pronta em vez de ter que fazê-la? Isso vai aumentar a chance de comer melhor?

Você está sempre com a mesa bagunçada e não tem tempo de organizar, mas a pasta para guardar estes papeis está no outro cômodo? Que tal colocá-la ao seu lado?

Crie fricção para os hábitos indesejáveis e remova para os hábitos que quer construir ,e faça as pazes com o vagabundo que existe dentro de você.

Conforto versus evolução pessoal

Vivemos na era do conforto. São vários os elementos que criam esta sensação, e um dos mais importantes é familiaridade.

Há pessoas quem vivem no piloto automáico, estas raramente saem de sua zona de conforto, pois não é o natural do ser humano. A inércia humana faz com continuemos onde nos sentimos confortáveis. O instinto é encontrar o seu canto e continuar nele, seguro.

O normal é não puxar convesa com desconhecidos, mesmo que você queira muito conhecer a pessoa, pois corre-se o risco de rejeição. Timidez é algo com o qual sofri durante toda a vida, e aind sofro um pouco. No fundo, é uma desculpa para esta insegurança que temos, mas é algo que pode e DEVE ser trabalhado. Nenhuma desculpa deveria ser permanente. Se você usa as mesmas desculpas que usava há 5 anos, há algo errado que deveríamos refletir.

O desconforto sistemático – colocar-se sempre, consciente e racionalmente em situações novas e desafiadoras – é uma forma de trabalhar isso de um jeito divertido.

Não fazer nada é um jeito fácil de continuar confortável. O processo de criar, de colocar coisas novas no mundo, é emocionalmente complexo. As pessoas irão te julgar, podem te achar idiota, ou até mesmo vão rir de você! É muito mais confortável não fazer nada, não entregar nada novo ao mundo, criticar o trabalho alheio e continuar com a sua vida confortável.

Viajar para algum lugar sem fazer planos e sem reservar hotéis, ir em uma festa em que não se conhece ninguém, tentar um caminho diferente para o trabalho, fazer um curso que não tenha nada a ver com suas experiências anteriores, puxar assunto com alguém que você considere muito atraente. Tudo isso traz desconforto. Mas depois de fazê-lo, você não será a mesma pessoa.

Aceitando o stress e o desequilíbrio

“Se tudo está sob controle, você não está indo rápido o suficiente”
(Mario Andretti)

A busca pelo equilíbrio se tornou um dos mantras do século XXI. E não à toa.

Muitas pessoas perderam a noção do sentido do trabalho. Buscando o sucesso pelo sucesso, e a qualquer custo. A reflexão sobre o que realmente importa acaba chegando a todos, mais cedo ou mais tarde. Embora alguns ajam e outros não.

O equilíbrio é parte fundamental de uma vida saudável. Mas não creio que deva ser o objetivo dela a todo instante.

Venho defender o stress. Stress é parte da vida. Em algum ponto da história recente, o stress virou o vilão da sociedade moderna. É claro que, de forma prolongada e ininterrupta, é um grande problema à saúde física e mental. Mas uma vida sem stress é uma vida sem progresso.

Todo organismo vivo ou está crescendo ou está morrendo. Não existe sideways no gráfico da vida. E crescimento implica em mudança, que implica em desconforto.

No ano passado, perdi 15 kg com uma dieta considerada radical por alguns. Mesmo fazendo exames regulares (sou viciado em exames) e fazendo um log de todas as minhas refeições (eu tenho porcentagens diárias de nutrientes e vitaminas registrados, pra ter uma ideia da minha nerdice com relação a dietas), muita gente questionou meus métodos e me dizia radical. Familiares (muito bem intencionados, por sinal) preocupados com a minha saúde, e que este stress sobre o corpo não deveria ser certo, que não era natural.

Vejo pessoas querendo perder 20, 30, 40 kg sem passar por nenhum tipo de desconforto. Ter uma “alimentação balanceada” não lhe fará perder 20 kg. O seu corpo não foi feito para perder 20 kg naturalmente. Ele foi feito para estocar energia, e não para que você fique bem num biquini. Para perder esse tanto de peso, sim, você terá que sentir fome, você terá que aguentar quedas no seu nível de energia e terá que ser mais esperto(a) que os milhões de anos de evolução biológica. Isso não é fácil, e certamente não é equilibrado.

“Em algum lugar no meio do caminho, confundimos conforto com felicidade.”
(Dean Karnazes, ultramaratonista)

O stress e o desequilíbrio são seus amigos quando você quer resultado. Andar nada mais é do que se desequilibrar com um pé após o outro.

“E veja o quanto você progride quando anda!”
(Robert Kiyosaki, Pai Rico Pai Pobre)

A sociedade hedonista em que vivemos pode não lhe entender completamente quando você se sacrifica ao sair da zona de conforto para alcançar o resultado que deseja ou para fazer algo que realmente importa. Mas não tem problema, você estará em boa companhia.

Não há garantias

Vivemos num mundo regulado. Produtos perigosos são obrigados a colocar avisos de que são perigosos. Brinquedos que possuem partes pequenas são obrigados a colocar isso no rótulo. Vivemos na sociedade da faca sem ponta.

Adicione-se a isso o fato de quando sermos crianças, nossos pais fazerem de tudo para satisfazerem nossas necessidades, nós crescemos achando que o mundo é um lugar desenhado para que tudo esteja sempre bem e para que o indivíduo seja feliz e completo.

Exceto que esta não é a verdade.

O mundo é um lugar frio e mecânico, regido pela lei da causa e consequência, onde as coisas acontecem porque devem acontecer, e não por algum senso de justiça existente somente na mente humana. Em outras palavras: não há garantias de que você irá se dar bem na vida. Esta é sua obrigação, não seu direito.

Muitas pessoas parecem não ser capazes de entender este simples conceito, o que leva a muitos problemas, inclusive psicológicos. A vitimização e a coitadização do eu é um grande problema da sociedade contemporânea, ao meu ver. Pessoas processando o McDonald’s ou a indústria do tabaco por sua saúde menos-que-perfeita deveriam ser uma piada num mundo normal. Quanto mais as pessoas se acham vítimas do mundo e incapazes de mudar o seu futuro, menos fazem no seu presente algo para mudá-lo. Isso leva a uma vida estagnada, depressão, falta de prosperidade e uma espiral decrescente na vida.

Quem é que disse que seria fácil? Quem é que disse que seria justo? Quem é que disse que sofrer é merecer? Quem é que garante que você irá encontrar sua cara-metade que vai gostar de você “do jeito que você é”? Quem é que disse que a felicidade é um estado natural?

Só você tem a obrigação de se tornar a pessoa que quer ser. “Torna-te quem tu és”. Talvez aí sim a vida seja generosa com você e todas as coisas venham ao seu encontro. Até lá, trabalhe muito para evoluir, seja generoso com a vida e aceite o que vier de bom grado, pois o Universo não lhe deve nada.

Seja um life geek

Hoje resolvi reaprender código morse.

Isso porque me peguei dizendo que sabia código morse, mas tinha esquecido uma parte. Bom, saber algo mais ou menos e não saber dá na mesma. Então resolvi que quero saber a coisa toda.

Este fato banal agrega dois conceitos importantes:

  1. integridade: se eu quero dizer que sei código morse, é melhor eu realmente saber código morse
  2. se for fazer algo, faça direito

Ser geek, ao contrário do que muita gente pensa, não é gostar de computador. Geek é qualquer pessoa que tem uma curiosidade maior que o normal por determinado assunto. Temos os computer geeks, os politics geeks, os film geeks e assim por diante.

Juventude descompromissada

Adoro minha vida de adulto, mesmo com todas as responsabilidades e cobranças que dela advêm. Mas quando me lembro da minha infância, adolescência e pós-adolescência, lembro também que adorava criar mini-projetos sobre qualquer coisa e mergulhava de cabeça naquilo por quanto tempo fosse necessário. Desde o clubinho que tentei fazer com meus amigos quando era criança, até aprender a fazer sites pessoais aos 12 anos, ou escrever guias para videogame aos 18, ou criar diversos sites experimentais e depois largá-los. Eram tarefas que não me traziam nenhuma remuneração mas me davam satisfação enorme. Me sentia realmente em estado de flow quando imerso em aprender/realizar isso tudo.

Voltando ao código morse

Eu já tinha aprendido código morse quando mais novo. Como toda nova “língua” aprendida, mais se apaga da memória quanto menos se pratica. O mesmo aconteceu comigo quando aprendi Esperanto básico.

Muitos de nós sabemos qual o próximo carro queremos comprar, ou o próximo “brinquedo de adulto” (blu-ray, tv de lcd, smartphone) mas não é isso que dá o gosto à vida, e sim as experiências.

Minha irmã se formará em Lazer e Turismo, e fico muito feliz por isso. Esta é uma profissão que estará cada vez mais em alta, porque quando as pessoas possuem suas necessidades básicas preenchidas, mais dinheiro não equivale a mais felicidade. Entretanto, mais experiências inesquecíveis, sim. E um profissional treinado para esta função, de criar experiências inesquecíveis, se tornará cada vez mais importante.

Gostar de fazer algo e se aprofundar nisso é muito legal, e faz tempo que eu não sentia isso. Por mais que eu goste de fazer meu trabalho, tudo que é feito com obrigação, eventualmente enjoa.

Concluindo

Ache algo que lhe apeteça (artesanato, pintura, alpinismo, aprender uma nova língua, planejar uma viagem) e caia de cabeça. Ser um geek da vida é bom para seu cérebro, para o seu humor e quem sabe esta coisinha estranha que você aprendeu não se conecte algo realmente importante no futuro?

Lose your illusion

A sabedoria é algo que muitos almejam, mas será que possuem um mapa claro de como atingí-la? É claro que não. Não deve haver um mapa claro para a sabedoria. Pessoalmente, creio que ela seja um dos caminhos para a felicidade. Não o único, mas uma vez escalada a pirâmide de Maslow, sem sabedoria logo vem a estagnação e talvez a perda da atmosfera de crescimento, tão necessária para sermos felizes. Portanto, a felicidade duradoura depende da evolução em todos os sentidos, e não é possível evoluir a mente sem buscar sabedoria.

Lendo este post do excelente Dr. Alex Lickerman (médico e budista), me deparei com uma definição de sabedoria nova para mim.

Após tantos anos a valorizando e almejando, me deparei com uma definição muito interessante do budismo sobre a sabedoria:

“Alcançar a sabedoria é nos livrarmos das ilusões.”

Vivemos vidas de tantas ilusões. Algumas grandiosas e outras tão pequenas e arraigadas à nossa visão de mundo que passam desapercebidas como “verdades”. É muito importante sair de você mesmo algumas vezes e tentar ver as coisas e o mundo de uma perspectiva um pouco mais ampla, como uma visão em terceira pessoa. Sem esta perspectiva, não podemos resolver os problemas mais graves, e ao menos tentar enxergar o mundo com um pouco menos de viés, que vem com as visões de mundo.

O Dr. Alex também me ensinou no mesmo post que nós apenas perdemos ilusões quando o custo de mantê-las se torna mais alto do que o custo de largá-las, como ao terminar um namoro/casamento e perceber que não precisamos do amor de ninguém para sermos felizes, ou quando descobrimos que não gostávamos do emprego após sermos demitidos.

O grande desafio, creio, é perder a ilusão antes que isso se torne conveniente. Talvez esta seja a chave do processo de amadurecimento. Tenho para mim que uma das características da vida adulta é fazer o que deve ser feito, mesmo que às vezes não estejamos com vontade de fazer. Isso se aplica aqui também, a realidade deve ser encarada de frente, por mais difícil que seja.

Portanto, caro leitor, lhe convido a perder suas ilusões e encarar a vida de frente. As circunstâncias negativas são suas amigas, porque lhe fazem crescer. Aprenda a agradecer os problemas, pois são chances de arrumar o que quer que esteja errado em sua vida, que o esteja causando. Uma vida de ilusões é tão triste quanto patética. Deveríamos almejar uma vida de grandeza, realização e felicidade, e ela só é possível com sabedoria.

The tipping point – O ponto da virada (ou o ponto do desequilíbrio), de Malcolm Gladwell

Este é o primeiro de uma série de três posts, um sobre cada livro do autor Malcolm Gladwell.

Embora seu primeiro livro, The tipping point, tenha sido um best seller em 2000, eu não conhecia o autor até o ano passado. De lá pra cá li seus três livros, o que gosto de chamar de trilogia Gladwell (na verdade, acabei de inventar esse nome).

As características comuns a todos os seus livros são:

  • Não-ficção
  • O livro tem um ponto principal, e cada capítulo tem seu ponto específico que contribui para a noção do ponto principal
  • Em cada capítulo ele conta primeiro uma história real, e em seguida emenda com a teoria que quer explicar aplicada àquele caso, e faz o mesmo com algumas outras histórias reais, deixando tudo bem claro. Ou seja, o exemplo vem antes da teoria

Este estilo de escrever me cativou bastante, e a muitas pessoas. É difícil parar de ler, pois os assuntos são geralmente sobre temas interessantes e não-intuitivos.

1º livro: The tipping point – o ponto da virada (como pequenas coisas podem fazer uma grande diferença)

Tema central: como o próprio autor define: “O Ponto da Virada é a biografia de uma ideia, que é muito simples: a melhor maneira de compreender o surgimento de tendências da moda, o fluxo e refluxo das ondas de crimes, assim como a transformação de livros desconhecidos em best-sellers, o aumento do consumo de cigarro por adolescentes, os fenômenos da propaganda boca a boca ou qualquer outra mudança misteriosa que marque o dia-a-dia, é pensar em todas elas como epidemias. Ideias, produtos, mensagens e comportamentos se espalham como vírus.”

Pontos mais interessantes que me chamaram a atenção

Vila Sésamo (Sesame Street) – o autor explica todo o processo de criação deste grande sucesso mundial infantil. Os criadores não queriam apenas um programa para entreter crianças, mas um programa sem violência e educativo que conseguisse manter a atenção das crianças. Isso é um desafio muito grande, e Vila Sésamo conseguiu este feito, mas não por acaso. Eles testavam todos os programas medindo a atenção de crianças em projeções-teste. Não apenas faziam o programa e esperavam que fosse interessante. Foi um processo quase científico de criação, até que se tornasse a Vila Sésamo que conhecemos hoje.

O vertiginoso declínio da taxa de crimes em NY e a teoria das janelas quebradas – Gladwell conta em detalhes a situação da crmininalidade em New York nos anos 1980, e como a partir de 1990 a taxa de homicídios caiu rapidamente em dois terços. Ele atribui este efeito à teoria da janela quebrada: se alguém quebra uma janela e ninguém conserta, as pessoas que passam por ali percebem que ninguém se importa. Logo surgem novas janelas quebradas, e o clima de anarquia toma conta, e começa a se espalhar a outras áreas. Era isso que acontecia com New York nos anos 1980.  Os vagões de metrô da cidade eram todos pichados e quebrados, havia mendigos em demasia nas ruas e o clima de desordem era geral. Até que se iniciou um longo processo de restauração de tudo na cidade (por exemplo: todos os vagões de metrô pichados eram pintados no dia seguinte, de forma a nunca haver nenhum metrô pichado andando na cidade), o poder do contexto se encarregou de diminuir a criminalidade.

150, o número mágico – Os seres humanos possuem limites naturais em seu cérebro, o que os psicólogos cognitivos chamam de ‘capacidade de canal’. Por exemplo, em média, um ser humano é capaz apenas de identificar 6 tons sonoros diferentes de uma só vez, depois disso passa a se confundir e adivinhar, o mesmo acontece com testes em diferentes sentidos, como paladar e visão, e até mesmo temos uma capacidade de canal para sentimentos. É possível ter mais de 6 grandes amigos? É difícil, porém possível. Mas acima de 15 grandes amigos já há um sobrecarregamento, e não há mais tempo para dedicar a cada amizade, sendo que nos afastamos de alguns naturalmente. Outra capacidade de canal interessante é a social. O humano e os primatas possuem uma parte do cérebro (neocórtex) cujo tamanho é muito maior do que de outros mamíferos.  Depois de muitos estudos, chegaram à conclusão de que isso se deve ao tamanho dos grupos. Se você tem um grupo de 5 amigos, você precisa acompanhar 10 relacionamentos – o seu com estas 5 pessoas e mais os 4 de cada uma entre si. Mas se seu grupo tem 20 amigos, agora você precisa acompanhar 190 relacionamentos. Ou seja, mesmo um aumento pequeno no grupo significa uma sobrecarga cognitiva gigante. O cérebro humano parece ter um número mágico de relacionamentos que pode lidar: 150. Antropólogos sempre esbarram em suas pesquisas com o número 150, a média do número de pessoas nas tribos caçadoras primitivas de várias regiões do mundo é de próximo a 150, o número de soldados por unidade militar também (regra que não mudou mesmo com avanço nas telecomunicações). Ou seja, parece haver um limite social para cada espécie, e a do ser humano é de 150 indivíduos com quem podemos nos relacionar de forma natural.

Capítulos do livro

  1. As três regras que regem as epidemias
  2. A regra dos eleitos: Comunicadores, experts e vendedores
  3. O fator de fixação: Vila Sésamo, As pistas de Blue e o vírus educacional
  4. O poder do contexto (parte um): Bernie Goetz e a ascenção e queda do crime em Nova York
  5. O poder do contexto (parte dois): 150, o número mágico
  6. Estudo de caso: boatos, tênis e o poder da tradução
  7. Estudo de caso: suicídio, tabagismo e a busca de cigarro sem poder de fixação
  8. Conclusão: concentre-se, teste e acredite
  9. Pósfácio:  Lições de The tipping point no mundo real

Lições práticas de The tipping point

  • Há diferentes tipos de pessoa que podem transformar um produto/ideia em uma epidemia (comunicadores, experts e vendedores). Saiba identificar o seu papel ou a ausência dele e contrate ou se associe a pessoas que possuam estas características
  • O poder do contexto é muito forte. Conserte as coisas quebradas agora, não depois. Plantas morrendo no escritório, parede precisando de pintura, impressora quebrada. Todas estas coisas passam a mensagem do oposto de prosperidade e de descuido. Não deixe que a teoria da janela quebrada faça parte da sua vida
  • Como seres humanos, precisamos entender – e aceitar – mais a forma como somos feitos. Muita gente tenta lutar contra instintos básicos e racionalizar situações que não funcionam com a razão (como entender mulheres). Há ainda muito o que nossa biologia/fisiologia tem a nos ensinar
  • O ambiente nos influencia de forma definitiva. Sua casa/escritório é seu santuário, portanto crie um ambiente favorável à produtividade e paz. Tenha superfícies limpas, sem pilhas de livros e/ou papéis. Tenha sistemas que assegurem um dia calmo e tranquilo. O mundo lá fora pode não ser exatamente como você quer, mas atue no seu círculo de influência para que ele seja o mais ordenado e agradável possível.

Finalizando

O livro é muito melhor do que eu poderia fazê-lo parecer. Há muita coisa interessante e é delicioso de ler. Recomendo sem dúvida, vai fazê-lo enxergar o mundo de forma diferente. E embora sejam apenas teorias, há inúmeras lições práticas a se tirar dele, tanto nos negócios quanto na vida.

Link: comprar livro no Submarino.

O problema em presumir, ou ‘Não pense que você entende o que se passa na cabeça do seu cliente’

Eu gosto muito de gelo. Sempre que tomo refrigerante, suco ou líquidos em geral, eu quero com gelo. Em algumas ocasiões, em restaurantes e afins, quando peço um copo com gelo, a resposta recorrente é: mas o refrigerante já está gelado. Eu não gosto de gelo por causa da temperatura. Gosto porque muda o grau de acidez, o pH, o grau de diluição, a distribuição de gás carbônico e algumas outras coisas que meu paladar nota, que não a temperatura. Portanto, quando eu tomo refrigerante numa estação de ski, não me importa se está nevando, eu quero com gelo.

É fácil achar que você entende o que se passa na cabeça das pessoas. Mas você não sabe. Não até você perguntar por quê. E mesmo depois de perguntar, muitas pessoas nem mesmo entendem suas necessidades direito, e caso entendam nem todas querem se abrir com você. Talvez com seus amigos de infância, mas não com você. As necessidades delas são diferentes das suas, e mesmo entre seus clientes, cada um tem uma percepção diferente com relação ao seu preço e à qualidade do seu serviço. Muitos terão prazer em pagar pelo dobro do preço se você conseguir prestar o serviço sem que ela tenha que sair de casa. Outros não.

Não presuma causas e efeitos. Não dá pra saber se um botão COMPRE AQUI no lugar do atual link do seu site irá aumentar as vendas em 10%, ou se um anúncio na revista dará mais retorno do que um anúncio num blog ou no Buscapé, a menos que você teste. Se você é um autor, tente adivinhar qual título venderá mais edições. É impossível. Há de se testar. O ser humano é imprevisível, principalmente em comportamentos em massa, vide bolsas de valores.

Nós enxergamos o mundo com as nossas lentes, e mesmo olhando pro mesmo lugar não vemos as mesmas coisas. Portanto, lembre-se disso na próxima vez que achar que sabe o que se passa na cabeça de seu cliente. Ou quando lhe pedirem gelo.

O poder da crítica

É importante se expor. Fazer besteira, passar vergonha, ser apontado e darem risada de você. É só assim que a gente aprende.

Enquanto você está crescendo, a família sempre te apoia e ignora seus defeitos, te amanda incondicionalmente (pelo menos numa família sadia). É claro que as pessoas que te amam dão alguns toques, mas é a hostilidade do mundo, a risada dos colegas, a pressão do mundo é externo é que nos faz perceber nossos defeitos e querer melhorar.

Vale um adendo. É importante não levar a opinião dos outros muito a sério. A maioria das pessoas não quer mudança. O mundo está cheio de céticos, e de preguiçosos e invejosos. Pense duas vezes antes de aceitar opiniões ou ouvir ideias. Escolha cuidadosamente as pessoas e suas opiniões. Principalmente para seguir em frente em algum projeto no qual acredita de verdade. Neste caso, ignore a todos e siga seu caminho.

Em todos os outros casos, eu sou extremamente grato a todos os tiradores de sarro. Perceber que somos humanos e que possuímos falhas pode doer, mas a satisfação de poder trabalhar e evoluir, não tem preço.