As lições de Ayrton Senna em sua videobiografia

Assisti há pouco o filme que conta a história de Ayrton Senna na Formula 1.

Eu gostaria de focar este texto em alguns aspectos do Ayrton, mais precisamente no lado humano dele, e nas lições e reflexões que julguei ser possível extrair dos êxitos e insucessos do gênio das pistas.

Journey and destination. Ayrton Senna tinha uma missão. Ele sabia o que queria e o que precisava fazer para chegar lá. Aos 31 anos, tricampeão mundial de Formula 1, com uma conta bancária bem gorda e tendo virtualmente tudo o que quisesse da vida, ele diz algo como: “Eu acho que vou ser feliz quando for uma pessoa realmente completa. Por enquanto, eu sei que ainda não sou.” Isso soou muito forte para mim. Ayrton Senna, o homem sinônimo do tema da vitória, não é feliz? Pois é o que parecia. É possível se perceber na corrida de ratos, correndo atrás de algo, e ao chegar lá comemorar por um tempo só para perceber que você quer mais. Essa insaciável busca pela conquista é uma marca de Ayrton, mas será que ele não seria mais feliz se aprendesse a apreciar o que ele já tinha e quem ele já era? Pois me parece que felicidade e sucesso não andam sempre juntos.

Leva tempo e trabalho para se tornar a pessoa que você é. Ayrton sabia do que era capaz antes que o mundo o descobrisse. Ele tinha consciência de sua capacidade. Mas depois de entrar pra Formula 1 e conseguir provar para si mesmo que era bom e tinha potencial, era necessário muito mais do que ligar o piloto automático. É necessário disciplina para acordar todos os dias e se tornar a pessoa que você pode ser, disciplina que sobrou a Senna e que falta a alguns grandes ídolos do futebol (não creio ser necessário citar). É difícil ser um sucesso e ter que trabalhar para se superar. Poucos conseguem fazê-lo, e muitos vivem de glórias passadas.

Jogo de cintura e lidar com as pessoas é importante. Alain Prost, o vilão do filme =) é uma pessoa muito melhor relacionada que Ayrton na Formula 1, e isso lhe trouxe muitas vantagens e facilidades. É bonito ser o underdog e superar tudo e a todos. Esta é a característica de um herói, e Ayrton o é com todos os méritos. Mas depois de assistir o filme, é fácil imaginar o quanto de sofrimento e frustração não seria poupado se ele tivesse um pouco mais de jogo de cintura.

Maturidade. Ayrton chega ao seu terceiro campeonato muito satisfeito. Mesmo tendo princípios sólidos, ele entende que o jogo é para ser jogado. Os patrocinadores e investidores não deveriam se envolver no resultado de um campeonato de pilotos, mas Ayrton entende um pouco melhor que o sistema sem eles também não existiria, e que alguém precisa pagar pelo espetáculo. Os melhores carros do mundo não se fazem sozinhos e certamente não de graça. Portanto, o sistema exige uma máquina por trás, com seus próprios interesses, e é sabendo lidar melhor com isso que o craque do volante chega ao seu pico da carreira, menos de mal com o mundo.

Qual o sentido de tudo isso? Após a morte do austríaco Roland Ratzenberger, um dia antes da fatalidade de Senna, alguém comenta: “Todos estavam se perguntando por que é que estávamos ali, e o que é que estávamos fazendo.” É importante parar e pensar que rumo sua vida está tomando. O piloto automático é o pior de todos os pilotos na pista da vida.

Fatalidades acontecem (life’s not always fair). Isso vai de encontro com um post recente, o mundo não opera pela lógica moral criada pelo homem, e sim por uma realidade mecânica e imparcial. O que aconteceu com Senna foi uma morte muito, mas muito besta, perto de toda a grandeza daquele ser humano. Às vezes morre-se como heroi, e às vezes você tropeça e bate a cabeça na guia. Alain Prost está vivendo sua vida, gozando de seus vinhos e mulheres e Senna está morto. A vida nem sempre é justa, e não há muito o que se fazer com relação a isso.

Em qual mesa sentar. Jogadores de poker dizem que uma das jogadas mais importantes acontece antes das cartas serem embaralhadas: mais importante do que ser bom, é escolher em qual mesa sentar. As chances de ganhar aumentam muito se seus adversários são inexperientes. Prost demonstrou ter aprendido esta lição ao garantir seu lugar na Williams no ano certo (em 1993, e não em 1994 quando a vantagem tecnológica que ela tinha foi banida, deixando Senna na mão) e exigir por contrato que não competiria com o Ayrton de novo na mesma equipe.

Rosebud. Ao ser perguntado qual teria sido o adversário que mais lhe deu prazer ao competir, Senna remete aos tempos de corrida de kart. “Aquilo era corrida de verdade, não havia política ali.” Talvez os anos mais felizes de Senna. Será que as coisas que perseguimos e damos prioridade do nosso tempo na maioria dos dias da nossa vida são mesmo as que realmente importam?

Competitivo por natureza e viciado na vitória (ao ponto de compará-la, em suas palavras, com as drogas), Ayrton é um ícone e neste filme assume papel de mito e de herói, que lhe caem bem. O sacrifício está lá, a capacidade e incontestável superioridade em seu talento também. Faltou a Ayrton mesmo um pouco de sorte. E por esta falta de sorte, quantas outras lições poderíamos ter aprendido!

Leia também: a crítica do Forlani.

Wednesday Movie Night (o videocast de cinema) – o piloto

Quem já acompanha este blog sabe que sou cinéfilo de carteirinha e não nego. Além de gostar de ver filmes, gosto de comentar sobre filmes, de colecionar filmes e de saber mais sobre o trabalho dos atores e diretores que gosto.

Gosto de filmes de muitos gêneros, estilos e nacionalidades diferentes. Ou seja, eu gosto de cinema. Eu saio do cinema extasiado com um sentimento que sempre confirma que eu realmente gosto de cinema. Eu não tenho dúvida quanto à minha adoração pelo cinema. A Gretchen Rubin costuma dizer que você pode escolher o que fazer, mas não pode escolher o que gostar. Pois eu tive a sorte de nascer adorando cinema.

Dito isto, eu conheci na faculdade uma pessoa que gosta tanto de cinema quanto eu, o Rod. E desde então às vezes combinamos de ver filmes juntos, especialmente os filmes longos demais e chatos demais pra seres humanos normais, ou filmes machos demais para assistir com as namoradas. No início deste ano formalizamos um ritual de ver toda quarta um filme diferente. Desta forma, nos obrigaríamos a nos manter vendo filmes mais antigos além de uma forma de manter a amizade viva após o término da faculdade.

Algumas noites, víamos sozinhos o filme, outras vezes alguns amigos nos acompanhavam. E assim foi. Até que em uma destas noites, discutindo sobre um filme logo após o término dele, o Nil teve a ideia de gravar o nosso comentário sobre o filme. Essa ideia evolui para um videocast de cinema.

Há muitos videocasts por aí. Acompanho e sou fã de alguns. Para ficar apenas no assunto cinema, gosto muito do Moviebuzz e da OmeleTV. Então tínhamos o desafio de fazer um podcast sobre filmes bacanas (geralmente os filmes são de grandes diretores e/ou que já possuem críticas boas a respeito ou são aclamados de alguma forma) mas que não se encaixasse em nada que já existisse na área. Surge o Wednesday Movie Night. Gravamos o primeiro episódios há algumas semanas e colocamos no ar nesta quarta-feira. Toda quarta um episódio irá ao ar às 20h, e toda quarta nós assistimos outro filme e gravamos, etc.

O WMN se diferencia dos outros videocasts porque traz filmes que não estão em alta no cinema. Não falamos sobre notícias de cinema e nem sobre filmes que estão saindo. Nós escolhemos um filme aleatoriamente, que pode ser de qualquer época do cinema (já gravamos das décadas de 70, 80, 90 e 2000) portanto é bem eclética, e o mesmo pode se dizer quanto ao gênero.

#001 – Kagemusha (1980), de Akira Kurosawa

O primeiro episódio que gravamos foi após assistir o filme Kagemusha, do diretor japonês Akira Kurosawa. O podcast possui 12 minutos, e melhor do que eu contar sobre o episódio é você assistir. Veja abaixo ou diretamente no vimeo.

Agradeço de antemão a todos os comentários e feedback. Postarei todos os episódios diretamente aqui no blog, toda quarta à noite. Você pode seguir o twitter @wmnight para ser avisado quando um episódio novo for ao ar.

Alice, de Tim Burton – Review

Sou fã.

Li os dois livros mais de uma vez. Além de fã de Alice, sou fã de Tim Burton. Portanto, não preciso descrever minha situação quando adiaram a estreia de Alice no Brasil devido a Avatar nunca sair do IMAX.

SPOILERS – Cuidado!

Bom, chegou o dia, e hoje assisti Alice in Wonderland, de Tim Burton. Mais do que um filme sobre o livro, Burton utiliza Wonderland em outra fase da vida de nossa protagonista. Ela tem 18 anos e está prestes a casar. Está confusa, e não se sente preparada para tomar a decisão. Foge da realidade e visita Wonderland como forma de resolver este conflito pessoal.

Em Wonderland, Alice não lembra o que passou lá quando era criança. A história do filme é até simplista. Mas não a história que se passa nas entrelinhas.

No início, Alice não está pronta para enfrentar seus problemas. Não tem nem mesmo certeza se é Alice, e do que ela é capaz. Está sempre muito grande ou muito pequena, significando que cresceu demasiadamente rápido em relação a todos, mas ao mesmo tempo guarda a essência de criança. Parece nunca acertar seu tamanho de acordo com sua personalidade, tendo sempre esta imagem distorcida de si mesma.

O destino de Alice está traçado, e ela decide obedecer o que todos dizem que deve ser feito. Até que ela percebe que não é para os outros que ela precisa viver. Todos dão opinião, mas quem terá que matar o monstro é ela sozinha. Ninguém aparece para ajudar na hora H.

Alice se sente perdida na maioria das conversas, até que no final do filme ela encontra a iluminação. E a iluminação não é externa. Acontece dentro dela. Ela se sente pronta para realizar o seu dever ao mesmo tempo em que assume responsabilidade pelo seu destino. Se torna uma pessoa que não liga para o que a sociedade exige, e sim para o que ela mesma acredita ser seu dever e seu destino. Alice usa o País das Maravilhas como uma terapia para modelar sua mente para resolver problemas reais.

Alice utiliza conselhos do sábio, mas ele apenas aponta o caminho, é ela que precisa andar por ele. A escolha de Alice é de enfrentar seu monstro e reconhecer seu poder que estava em algum lugar fora de onde ela encontrava.

Alice é uma típica pessoa que não acreditava em si mesma, mas que exposta à situação estimulante correta vai em busca desse poder interior e o exterioriza de forma muito clara. Ela é a messias de seu sonho. Ela é a protagonista de sua história.

Tudo isso a ajuda em sua vida real. Se todos tivessem o mesmo poder de imaginação de Alice, psicólogos e suas terapias ficariam obsoletos.

Por que o cinema é importante

Não apenas por lazer ou para relaxar. Através dos filmes, temos contato com pontos de vista e realidades diferentes das nossas próprias. Entedemos melhor sobre nossas emoções, e quanta variação de emoção nestas duas horas.

O cinema nos dá a possibilidade de sairmos do cotidiano para entrar em um mundo diferente. Conhecemos mundos fantásticos ou assustadoramente reais, aprendemos sobre eventos históricos e sobre a cultura de lugares distantes, sobre a vida de pessoas do passado, podemos nos surpreender com reviravoltas e entender melhor o ser humano e suas motivações. Temos acesso a uma experiência tecnológica que custa milhões pelo preço de um ingresso. E o mais importante, entramos na mente de brilhantes criadores e contadores de histórias. O cinema é importante porque conta histórias.

Os Estados Unidos sabem a força do cinema, e espalharam seu estilo de vida pelo mundo todo através dele. Mas muito além do poder de modificar o mundo, o cinema tem o poder de modificar a nós mesmos. O bom filme é aquele em que o telespectador sai diferente de quando entrou. A sala de cinema funciona como uma catalisadora da mudança interior.

É por isso que eu vou ao cinema, e você?

Watchmen – a graphic novel mais aclamada de todos os tempos

Recentemente, tive a grande oportunidade e prazer de ler Watchmen, uma graphic novel de 12 episódios, escrita por Alan Moore (Do Inferno, A Liga Extraordinária, Constantine, V de Vingança, entre outros) e desenhada por David Gibbons.

Watchmen tem uma história densa, multifacetada e profunda. Foi publicada em capítulos no final dos anos 1980, e é nesta época que a história acontece, época em que a Guerra Fria beirava a Guerra Nuclear. Neste universo, os heróis fantasiados/mascarados foram criminalizados, não é mais permitido ser um vigilante, alguns deles mudaram de vida, outros trabalham escondidos, e outros até viraram agentes do governo.

Bom, abaixo os pontos que mais me chamaram a atenção: Continuar a ler

Cinema IMAX no Brasil: a estréia

Muitos de vocês não sabem o que é IMAX. Muitos mesmo, tenho até amigos nerds que nunca ouviram falar ou se já ouviram não sabem o que é. Meu amigo Rod tem a explicação perfeita para definí-lo:

“é um cinema gigante com uma tela da altura de um prédio de 3 andares!”

Pronto. Bem definido, e a maioria das pessoas entende. Mas não é só isso. Além da tela ser realmente gigante, a resolução também é muito maior do que a convencional, deixando as imagens cristalinas, e o som de 6 canais é digital e separado do filme, e comporta uma tecnologia 3D muito boa. Ainda é meio caro produzir filmes em IMAX, e não tem em muito lugar, por isso a tecnologia ainda está engatinhando. Na verdade, está quase andando, mas enfim.

Sexta-feira, no Shopping Bourbon Pompéia, na Barra Funda, em São Paulo, foi inaugurado o segundo cinema IMAX da América Latina. O primeiro fica em Buenos Aires, e eu tive o prazer de assistir The Dark Knight (TDK) e Madagascar 2 por lá. O TDK tem apenas algumas cenas filmadas em IMAX, os primeiros 7 minutos, do assalto ao banco que o bando do Coringa faz, e depois alguns takes aéreos e algumas cenas de ação. É muito impressionante ver seu campo de visão ser completamente tomado pelo filme. A tela vai do chão ao teto, o formato não é mais widescreen (seria tallscreen?), e a resolução é incrível. Eu ficava de boca aberta com o que via. Muito bom! Por sinal, a versão IMAX do TDK estará em cartaz em fevereiro por aqui.

(nota: para deixar claro, nenhum segundo do filme do Batman é em 3D, ele é TODO em 2D, quando eu digo filmado em IMAX eu quero dizer que a tela fica toda preenchida, do chão ao teto, enquanto no resto do filme o formato é o widescreen convencional dos cinemas, mas vale muito a pena, bem mais que se fosse 3D)

Continuar a ler

Aprendendo com o palhaço – ou 10 coisas que podemos aprender com o Coringa, de Cavaleiro das Trevas

Muitos sabem que eu assisti The Dark Knight quatro vezes no cinema, e que pintei a cara pra participar do arg do coringa em são paulo, para no final ver o trailer (o mais legal deles) no cinema com exclusividade antes de todo o mundo. E que inclusive fui pra Buenos Aires ver o filme em iMAX (bom, não fui só pra isso, mas fui). Meu personagem preferido do filme é o Coringa, e não é a toa. À parte da brilhante atuação de Heath Ledger, da qual não vou falar muito pra não entrar em lugar comum, o Joker tem muitas características interessantes. Abaixo listo 10 lições que podemos tirar com o Coringa. Ah, o texto pode conter spoilers!

why so serious?

1. Planejamento é tudo
Embora seja um personagem muito espontâneo, e tenha dito ao Harvey Dent que ele não é uma pessoa que planeja, o Joker daria um graaaande administrador estratégico. Ele pensa em diversos cenários diferentes, articula as pessoas necessárias para fazer o que ele quer, e tem sempre uma carta na manga para diferentes cenários. O Coringa, pelo filme, é um dos maiores planejadores de crimes de todos os tempos. Já na cena de assalto ao banco pode-se ver como foi tudo muito bem planejado.

2. Ousadia
Não é qualquer um que veste uma máscara de palhaço e rouba dinheiro da máfia, depois vai até a reunião dos mesmos pra dizer que quer metade do resto do dinheiro deles no mesmo dia. Não é qualquer um que desafia o Batman a se entregar e quase consegue. Com muita ousadia e ambição, ele consegue tudo o que quer. Ser discreto e previsível é uma opção para um criminoso, mas não para o Coringa. Ele quer ver o circo pegar fogo, ele quer ver aonde vai tudo aquilo. Com ousadia ele foi longe.

3. Esteja na linha de frente
Apesar de ser o líder da organização, ele sempre está lá com a cara a bater. Ele não fica na mesa dele vendo tudo pela televisão. Ele fica lá junto com a gangue. É ele em pessoa que atira no carro do Batman com a bazuka. É ele quem joga a Rachel da janela. Inclusive no assalto ao banco, que não sabiam.

4. Delegar e administrar pessoas
Apesar de estar quase sempre a frente da execução da operação, ele sabe delegar também. Alguém colocou as bombas nos barcos, não foi ele. Alguém colocou a outra bomba dentro do intestino do gordão, alguém levou o Harvey Dent e a Rachel até os depósitos cheios de gasolina. Ele planeja tudo muito bem planejado e deixa a execução com outros. Quando ele fica preso, sua operação continua funcionando sem a presença dele.

5. Faça uma grande entrada
Um momento marcante no filme é a entrada do Coringa na festa para Harvey Dent. Ele entrar logo dando um sutil tiro de shotgun pro alto, para prender a atenção dos convidados. Ele age como se fosse o dono da festa. Esta é a imagem de confiança. Assim, ele impõe respeito.

6. Markering Viral
Não estou falando do marketing do filme em si, que também foi viral, e foi incrível. Falo do marketing que ele fazia. Ele fazia alguma coisa bacana, ou um video, e todo mundo só se falava disso. É claro que é bem mais fácil fazer marketing viral quando você é um criminoso, porque todo mundo adora uma tragédia, especialmente jornalistas. Mas o ponto é que ele não pagou anúncios de outdoors, ele usou de ferramentas criativas (o video, o dna, os recortes de jornais, as bombas nos barcos) para chamar a atenção do público, e quem não gosta de uma brincadeira?

7. Frases de efeito
Se você leu meu post de ontem do Matrix já percebeu que eu adoro frases de efeito. A coisa é que bordões funcionam. Zorra Total não tem muita graça, mas tem audiência 1) porque a maioria das pessoas não tem bom gosto, e 2) porque as pessoas gostam de ouvir as mesmas histórias e as mesmas frases. “Why So Serious?” tem um grande efeito. Basicamente todas as frases do trailer. Menção honrosa para a história da cicatriz.

8. Tenha uma paleta de cores que lhe dê identidade
Não sei nada de design. Mas adoro! E sei que verde com roxo fica bem em muito poucas pessoas, mas com o Coringa fica ótimo. É facilmente identificável, tem um quê de Halloween-mas-não-tanto que fica ótimo. Se ele usasse uma roupa laranja, seria um filme muito pior.

9. Não coloque ninguém num pedestal
O Coringa sabe que todo mundo é humano. Até o Batman tem suas fraquezas e suas dúvidas. Todo mundo tem medo do Batman, ele o trata de igual pra igual, sai até na porrada com ele. Todo mundo é humano, e todos nós temos inseguranças e incertezas sobre as coisas. Se você trata a pessoa como se ela estivesse num pedestal, na verdade é você que está ajoelhado.

10. Tenha sempre um plano B
Durante o filme, vemos que sempre que a polícia ou o Batman tenta interceptar o Coringa de alguma forma, ele tem uma carta na manga, um ace in the hole. Nem todos sabem qual é o objetivo dele, e por isso ele faz o que bem quiser, e muda de planos conforme acha melhor. Ele faz todo mundo de bobo, e sempre que interceptam o que ele planejou, ele não leva virtualmente tempo nenhum para mudar seus planos.

Enfim,  há muito o que aprender a não fazer com o Coringa, mas até um criminoso, se bem-sucedido, pode ensinar coisas sobre o sucesso.

The Matrix has you!

“Sabe como eu sei que não estamos na Matrix? Porque a comida é horrível!” Dr. Sheldon Cooper

Ontem reassisti a Matrix, filme que completou 10 anos em 2008. O cinema tem a chance de transmitir mais que uma simples sequencia de acontecimentos. Os filmes contam uma história, e a moral desta história pode ser entendida pelo espectador mais atento. É como uma cebola, são muitas camadas, e nem todos vêem as mesmas.

Façamos uma breve análise. Se você não assistiu ao filme, por favor alugue uma cópia na locadora mais próxima à sua caverna antes de ler o artigo. Esteja avisado.

O filme começa com uma sequencia de luta e perseguição por cima de prédios com pulos impossíveis e uma prévia do incrível e famoso bullet time, criado pelos irmãos Watchovsky neste filme. Mr. Anderson segue o coelho branco, e assim como Alice, acaba descobrindo uma realidade à sua volta muito maior e diferente do que imaginava. Durante todo o filme, ele é forçado a alterar seus conceitos e descobrir a verdade cruel, que o mundo que ele viveu todo este tempo não passa de uma ilusão criada para mantê-lo sob controle. Não só a ele, como a toda a humanidade. Por várias vezes, ele tenta negá-la e se arrepende de não ter tomado a pílula azul da omissão e do conforto. Mas ele escolheu a pílula vermelha da ousadia, da aventura, da curiosidade, do desconforto, e da verdade.

Morpheus diz a Neo que ele é o escolhido de bate-pronto, não há segredos aqui. O que realmente falta é que ele se convença disso. Mesmo que tenhamos grande potencial, não podemos aproveitá-lo plenamente se não nos descobrimos. E é isso que falta a muitas pessoas, era o que faltava a Neo.

Morpheus representa a certeza e a obstinação. Ele sabe onde quer chegar e fará de tudo para que consiga seu objetivo. Ele dá o suporte necessário e está disposto a se sacrificar por sua causa. Ele não fica de braços cruzados, ele vai fazer o que é preciso.

Cypher, o traíra da equipe, representa aqueles que preferem enganar a si próprios para não enfrentar a realidade cruel. Ele bebe para esquecer, bem como entrega os amigos em troca de que apaguem sua memória. A realiadade é dura demais para alguns, e os faz tentarem fugir dela.

O filme possui incontáveis frases de efeito, dessas que os nerds (me inclua aqui) não se cansam de repetir em forums, e das quais nós mesmos nos pegamos pensando ao f inal do filme. Morpheus é o rei das frases de efeito, e quem não gosta delas? Aqui vão algumas:

Morpheus: Welcome to the real world!
Morpheus: I can only show you the door. You’re the one that has to walk through it.
Morpheus: Unfortunately, no one can be told what the Matrix is. You have to see it for yourself.
Spoon boy: There is no spoon.

Trinity: Neo… nobody has ever done this before.
Neo: That’s why it’s going to work.

Agent Smith: Tell me, Mr. Anderson, what good is a phone call when you are unable to speak?

Cypher: Ignorance is bliss.

Ah, boas e velhas frases de efeito. Todos os filmes de ação deveriam ter.

Além do roteiro, o filme revoluciona maravilhosamente na estética. Assistir um tiroteio com cambalhotas e muita câmera lenta, ah! não tem nada melhor. O bullet time, as coreografias, o figurino, os cenários, é tudo lendário hoje em dia.

O momento que Neo tem sua iluminação é a parte mais tocante do filme, e a mim, fez marejar os olhos. Enxergar o que ninguém mais enxerga, ver o mundo com outros olhos. Entender o seu real poder, e ver que você pode mudar a forma como os outros vêm o mundo em volta deles. Ali, a dinâmica de poder muda completamente. Sai da mão dos agentes para a mão de Neo. Esta é a verdadeira beleza de Matrix. Todo o restante complementa o fundamento que é incrível.

Um exemplo de filme bem filmado. Um exemplo de cinema como ele deve ser: ousado, provocativo, que altera o status quo, aumenta seu contexto mental, encanta, entrega mais do que é esperado, e é atento aos detalhes. Matrix não é um clássico à toa.  Ele é uma obra-prima e será cultuado por gerações de espectadores, como toda obra-prima deve ser.