Entendendo uma das obras-primas de David Bowie: Ziggy Stardust

Se você não conhece muito bem o trabalho de Bowie, não é o único. Este homem inventou e reinventou gêneros de música diferentes. Conhecido como O Camaleão, ele já fez todos os tipos de música: glam rock, hard rock, blues, eletrônico, instrumental, blues, e deus sabe lá quais mais.

Há algum tempo, eu resolvi ouvir um por um de seus albuns, cronologicamente. Iniciei do primeiro e só passava ao próximo quando já sabia a maioria das músicas de cor. Acabei descobrindo que é muito raro gostar de um album à primeira ouvida. Geralmente, apaixonar-se pelas músicas leva um pouco de tempo, e é exatamente isso que acontece com a música de Bowie.

Ele é bem estranho, tenho que admitir. Ver a figura dele cantando não ajuda. Já dizia o saudoso Queen, conversando com o rádio e prevendo a explosão do iPod nos anos 2000: “so stick around, ’cause we might miss you when we get tired of all this vision”. Bowie você tem que ouvir, só ouvir. Cada música tem uma história e é preciso mergulhar no universo dela e tentar entendê-la. A Wikipédia sempre ajuda nestes casos, te contando um pouco sobre cada música, e foi assim que eu aprendi a apreciar Bowie.

O álbum The Rise and Fall of Ziggy Stardust and The Spiders from Mars (apenas Ziggy Stardust para os íntimos) me encantou por um motivo. Ele conta uma história onde cada música é um capítulo. Isso era algo inédito na minha mente, e eu achei fascinante, logo resolvi cavar mais fundo nesse poço. E realmente me surpreendi. Encontrei o que poucas pessoas encontram. Bowie não dá pra ouvir uma vez, não entender a letra e ir curtindo. É uma música complexa, emocional, um nível acima do resto. O álbum é fenomenal, e a história por trás dele não menos incrível, mas o comportamento de Bowie nesta época de sua vida também é interessante. Ziggy Stardust é um astro do rock que vem do espaço, pra resumir. E David Bowie fazia as apresentações como se fosse o Ziggy. Ia vestido de Ziggy, e pensava como Ziggy, agia como Ziggy. Unindo-se o sucesso, o consumo excessivo de cocaína e esta paranóia mental, ele teve sérios problemas psicológicos, inclusive de personalidade.

Enfim, tentando resumir a ópera e fazer com que se entenda a história, eu resolvi criar O Guia Oficial para Apreciação Correta de Ziggy Stardust, e cá está ele, para o deleite de vocês, leitores. Clique aqui para fazer o download do guia. Nele, você irá encontrar uma breve explicação antes de cada música, a letra da música em inglês e a tradução para o português ao lado.

Aqui no Brasil, nós temos algumas versões de músicas do álbum. O grupo Nenhum de Nós emplacou um hit aqui no Brasil: Astronauta de Mármore, baseado na faixa 4: Starman. Outro artista que fez um trabalho incrível por aqui foi o Seu Jorge, fazendo várias versões de músicas do Bowie, entre elas a faixa 6: Lady Stardust, e a faixa 11: Rock ‘N’ Roll Suicide (além de outras músicas do Bowie de outros discos), muito bom!

Tenho a agradecer, os artigos da Wikipédia sobre o álbum e sobre cada música, bem como o site The Ziggy Stardust Companion e Teenage Wildlife. Por favor, tomem a liberdade de fazer o que bem quiserem com o meu pdf, ele não é mais meu: é do mundo.

15 pensamentos sobre “Entendendo uma das obras-primas de David Bowie: Ziggy Stardust

  1. Cara, você disse alí: “ele devia lançar isso em um CD” falando sobre os covers do Seu Jorge, e esses covers foram postos em um cd. Se trata da trilha sonora do filme “Life Acquatic with Steve Zissou”, feita inteira de covers e versões em português das músicas do Bowie pelo Seu Jorge.
    Alguns leitores já devem ter te escrito isso, mas, caso contrário, tá dado o recado. Agora vou ler o seu guia do ziggy, tchau.

  2. olha, vc falou que o Bowie usava cocaína na época de Ziggy, right? “Unindo-se o sucesso, o consumo excessivo de cocaína e esta paranóia mental, ele teve sérios problemas psicológicos, inclusive de personalidade.” isso só começou em 1974/1975, que eu saiba… bem, gostei muito dessa introdução, vou ler o pdf agora😛 é bom saber que tem ‘fãs novos’ que sacam que cada música tem sua história, que tem muito mais coisa além do vc vê na primeira leitura. espero que minha opinião, opinião de uma guria que acabou de fazer 15 anos, e que se apaixonou por David Bowie aos 13, conte.

  3. @Fran:

    Olá, Francine. Beleza?

    Então, em 1974 foi lançado um documentário chamado Cracked Actor (nome de uma música de Alladin Sane, como vc deve saber) que tratava da tour de Diamod Dogs e do abuso de cocaína dele. Com certeza ele já se drogava muito antes disso, e com certeza absoluta na época do Ziggy, que foi de 72 em diante. Um abraço!

  4. “Guia para apreciação correta”… parece presunçoso e “AI-5” demais. =p.

    valew pelo post do Bowie, bem interessante!!!

    Tem gente que chama disco com história de “Opera”,
    maioria metal é assim…
    recente vc tem o Green Day… que não lembro o disco agora pq to atrasado pra sair contigo… flow, até daqui a pouco

  5. Muito bom! Muito bom! Muito bom! Acordei ainda agora, pela madrugada, com o album “Scary Monsters (and Supercreeps) na cabeça. Enfim, só não conssigo gostar de “Station To Station” e “Young Americans”. Sei que são albuns bons… mas, não consigo gostar.
    Ah, e aquele Tonight lá também que eu acho um porre.
    O restante dos albuns, eu adoro. Apesar de um não ter nada a ver com o outro, afinal, isso que faz do Bowie ser bom.
    Quem quiser manter contato, msn: matt_awp@hotmail.com

    Valeu! =D

  6. The rise and the fall…..é um álbum conceitual maravilhoso, messiânico, apocalíptico….Talvez, um dos melhores de Bowie! Todavia, discordo do “caboclo” que não curtiu os discos dele de 1975 e 1976. Ouçam Station to Station: subliminar, ocultista….o canto do cisne do Thin White Duke, feito à época que Bowie vivia de leite, pimenta e cocaína! Eu o considero como uma das obras-prima de Bowie…Imperdível!

  7. Olá.. Tem como vc disponibilizar “O Guia Oficial para Apreciação Correta de Ziggy Stardust” novamente? Obrigada. Maria Helena

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