Videocasts de cinema

Olá, galera!

Talvez alguns (ou muitos) de vocês não saibam, mas há alguns anos iniciei com dois amigos um videocast sobre cinema: o Wednesday Movie Night, nele gravamos e lançamos treze episódios e aprendemos muita coisa sobre filmagem de videocast, sobre cinema e sobre amizade no caminho.

Este ano fomos convidados a fazer parte da equipe de um portal de cinema, onde dividimos a atenção com outros grandes nomes da jovem crítica nacional, o Cine Splendor. Nosso novo videocast se chama Os Bons Companheiros, e estamos lá todo dia 15 com um novo episódio.

Abaixo os primeiros dois, e únicos até o momento deste post:

Episódio 1 – Spiderman

Episódio 2 – Rambo

Não postarei os próximos videos aqui, assim como não postei o WMN durante os dois anos que fizemos, mas se você quiser acompanhar os próximos episódios é só assinar o feed do Cine Splendor ou curtir a página do Facebook para receber as atualizações.

Conto com vocês por lá também =)

Trajetória

Quando a NASA lança um foguete para a Lua, muitas pessoas não percebem que:

  1. a Terra está em movimento
  2. a Lua está em movimento

Portanto, eles têm que acertar um alvo em movimento a partir de uma plataforma em movimento. Nada fácil! A expressão “this is not rocket science” não foi criada em vão.

Eles não miram onde a Lua está, isso é irrelevante. Eles miram para onde a lua vai estar quando o foguete estiver para pousar nela.

Ao receber um lançamento, o jogador de futebol corre para onde a bola vai, e não para onde ela está.

Muitos vestibulandos querem saber qual é a tendência do mercado antes de prestar uma faculdade. As profissões mais “quentes”. A verdade é que ninguém sabe como estará o mercado de trabalho daqui quatro anos, quando você estiver quase formado. Tenha cautela com os que dizem saber. Ou com qualquer pessoa que pregue ter a resposta quando o mundo todo ainda nem está certo das perguntas.

No seu negócio, você pode reagir ao que os concorrentes estão fazendo ou pode pensar no futuro do seu negócio proativamente, liderando e definindo o que será ou não tendência no seu meio. A questão sendo “O que você pode fazer agora que outros negócios ainda não estão fazendo?” ao invés de “Como posso copiar meu concorrente?”

Ver o passado é fácil. Abra qualquer site de notícias, assista TV, leia revistas e você saberá tudo o que é considerado importante e “tendência” no momento. Entretanto, entender para onde as coisas caminhame, requer um pouco mais de percepção, observação e pensamento crítico. E não dá pra fazer isso e postar no Facebook ao mesmo tempo.

Muita gente ganha rios de dinheiro copiando tendências, não há nada errado nisso. Apenas decida se você quer inventar o próximo iPhone ou manufaturar o HiPhone do seu setor.

A falácia da felicidade que vem de dentro

Não é novidade que nosso estado interno se reflete no exterior.
Quando você está triste, provavelmente anda cabisbaixo e calado, e raramente sorri.

A verdade é que o caminho contrário é igualmente verdadeiro e muito pouco utilizado.

Quem sorri mais (sim, mesmo sorriso forçado), se sente mais feliz.
Por que não utilizar truques assim para melhorar seu dia?

Se tivesse

Truques para o curto prazo:

  • Arrumar a cama (senso de realização numa tarefa de um minuto)
  • Sorrir (ativar os músculos do sorriso mandam um sinal ao cérebro de que você está mais feliz)
  • Ver o sol (lugares iluminados e ensolarados aumentam a felicidade)
  • Vestir cores claras e vibrantes (cores vibrantes ou branco melhoram nosso humor)
  • Plantas (não serve planta morrendo ou seca, jogue estas fora)
  • Olhar para o horizonte (relaxa os músculos ciliares, que controlam o foco do olho)
  • Fechar os olhos e respirar fundo (aumentar a oxigenação no cérebro alivia o stress)
  • Ouvir uma música que te deixe pra cima (evite músicas negativas ao máximo, mesmo que goste bastante delas)
  • Aumentar as luzes da sua casa (lugares pouco iluminados trazem sensação de decadência)
  • Arrume as coisas no momento em que quebrarem, ou as jogue fora (paredes descascadas, plantas mortas, aparelhos quebrados e juntando poeira, você acha que isso não afeta nem um pouco o seu bem estar?)

Dicas para aumentar a felicidade no longo prazo:

  • Coma bem
  • Exercite-se
  • Durma bem (meu sonho é abolir o despertador)
  • Tenha várias fonte de contentamento. Não seja aquele cara cuja vida acaba quando termina um relacionamento, ou se algo no trabalho vai muito mal. Tenha opções para se sentir bem, faça um esporte que goste, tenha projetos paralelos
  • Cultive hobbies (pessoas sem hobbies tendem a se focar em minúcias irrelevantes sobre qualquer que seja seu problema do momento. faça o que puder para resolvê-los, mas não pense em excesso sobre eles)

É claro que a questão da felicidade é muito mais complexa e profunda do que este breve e superficial post. Estas dicas não são a solução, apenas truques para lidar com um dia ruim: Happiness boosters. Mas não chegamos ao pré-sal sem antes descobrirmos o subsolo.

Removendo a fricção

Já percebeu como é fácil pagar algo no McDonald’s? Como o dinheiro muda de mãos em segundos?

Hoje eu consigo comprar um livro na Amazon com um clique, porque eles já possuem meus dados do cartão de crédito e a minha permissão para cobrá-lo. O livro eletrônico chega ao meu alcance em questão de segundos.

Quão difícil é para você ir na academia? Ela é próxima da sua casa? Você tem roupas suficientes para ir? Tem lugar para estacionar o carro? Dá pra ir a pé? E em dias chuvosos?

Se você precisa sair de casa e andar por 20 minutos para ir ao restaurante super saudável, meu palpite é que você vai acabar indo na padoca ao lado e comer uma coxinha com muito mais frequencia.

Se você quer mudar algum comportamento, não exija demais da sua força de vontade. Ela é um recurso limitado e que deve ser economizado ao máximo. Em vez disso, você pode criar sistemas que ajudem a fazer o que precisa. E se você comprar a salada pronta em vez de ter que fazê-la? Isso vai aumentar a chance de comer melhor?

Você está sempre com a mesa bagunçada e não tem tempo de organizar, mas a pasta para guardar estes papeis está no outro cômodo? Que tal colocá-la ao seu lado?

Crie fricção para os hábitos indesejáveis e remova para os hábitos que quer construir ,e faça as pazes com o vagabundo que existe dentro de você.

Ubiquidade

O que acontece quando toda pessoa do planeta tiver acesso à informação ilimitada? Quando não houver limites para o conhecimento?

Num mundo onde a informação era escassa e de difícil acesso, era difícil argumentar contra a importância da memorização e da aquisição e retenção de conhecimento. Hoje, com mais ou menos dificuldade de pesquisa, temos a resposta para a solução da maioria dos problemas.

É importante resolver problemas, mas mais importante é descobrir problemas que nem sabíamos que existiam.

Quando todas as respostas estão na ponta dos dedos, o que realmente importa é saber fazer perguntas.

Será que devemos continuar colocando água no copo cheio ou deveríamos nos focar em aumentar o copo?

Conforto versus evolução pessoal

Vivemos na era do conforto. São vários os elementos que criam esta sensação, e um dos mais importantes é familiaridade.

Há pessoas quem vivem no piloto automáico, estas raramente saem de sua zona de conforto, pois não é o natural do ser humano. A inércia humana faz com continuemos onde nos sentimos confortáveis. O instinto é encontrar o seu canto e continuar nele, seguro.

O normal é não puxar convesa com desconhecidos, mesmo que você queira muito conhecer a pessoa, pois corre-se o risco de rejeição. Timidez é algo com o qual sofri durante toda a vida, e aind sofro um pouco. No fundo, é uma desculpa para esta insegurança que temos, mas é algo que pode e DEVE ser trabalhado. Nenhuma desculpa deveria ser permanente. Se você usa as mesmas desculpas que usava há 5 anos, há algo errado que deveríamos refletir.

O desconforto sistemático – colocar-se sempre, consciente e racionalmente em situações novas e desafiadoras – é uma forma de trabalhar isso de um jeito divertido.

Não fazer nada é um jeito fácil de continuar confortável. O processo de criar, de colocar coisas novas no mundo, é emocionalmente complexo. As pessoas irão te julgar, podem te achar idiota, ou até mesmo vão rir de você! É muito mais confortável não fazer nada, não entregar nada novo ao mundo, criticar o trabalho alheio e continuar com a sua vida confortável.

Viajar para algum lugar sem fazer planos e sem reservar hotéis, ir em uma festa em que não se conhece ninguém, tentar um caminho diferente para o trabalho, fazer um curso que não tenha nada a ver com suas experiências anteriores, puxar assunto com alguém que você considere muito atraente. Tudo isso traz desconforto. Mas depois de fazê-lo, você não será a mesma pessoa.

Aceitando o stress e o desequilíbrio

“Se tudo está sob controle, você não está indo rápido o suficiente”
(Mario Andretti)

A busca pelo equilíbrio se tornou um dos mantras do século XXI. E não à toa.

Muitas pessoas perderam a noção do sentido do trabalho. Buscando o sucesso pelo sucesso, e a qualquer custo. A reflexão sobre o que realmente importa acaba chegando a todos, mais cedo ou mais tarde. Embora alguns ajam e outros não.

O equilíbrio é parte fundamental de uma vida saudável. Mas não creio que deva ser o objetivo dela a todo instante.

Venho defender o stress. Stress é parte da vida. Em algum ponto da história recente, o stress virou o vilão da sociedade moderna. É claro que, de forma prolongada e ininterrupta, é um grande problema à saúde física e mental. Mas uma vida sem stress é uma vida sem progresso.

Todo organismo vivo ou está crescendo ou está morrendo. Não existe sideways no gráfico da vida. E crescimento implica em mudança, que implica em desconforto.

No ano passado, perdi 15 kg com uma dieta considerada radical por alguns. Mesmo fazendo exames regulares (sou viciado em exames) e fazendo um log de todas as minhas refeições (eu tenho porcentagens diárias de nutrientes e vitaminas registrados, pra ter uma ideia da minha nerdice com relação a dietas), muita gente questionou meus métodos e me dizia radical. Familiares (muito bem intencionados, por sinal) preocupados com a minha saúde, e que este stress sobre o corpo não deveria ser certo, que não era natural.

Vejo pessoas querendo perder 20, 30, 40 kg sem passar por nenhum tipo de desconforto. Ter uma “alimentação balanceada” não lhe fará perder 20 kg. O seu corpo não foi feito para perder 20 kg naturalmente. Ele foi feito para estocar energia, e não para que você fique bem num biquini. Para perder esse tanto de peso, sim, você terá que sentir fome, você terá que aguentar quedas no seu nível de energia e terá que ser mais esperto(a) que os milhões de anos de evolução biológica. Isso não é fácil, e certamente não é equilibrado.

“Em algum lugar no meio do caminho, confundimos conforto com felicidade.”
(Dean Karnazes, ultramaratonista)

O stress e o desequilíbrio são seus amigos quando você quer resultado. Andar nada mais é do que se desequilibrar com um pé após o outro.

“E veja o quanto você progride quando anda!”
(Robert Kiyosaki, Pai Rico Pai Pobre)

A sociedade hedonista em que vivemos pode não lhe entender completamente quando você se sacrifica ao sair da zona de conforto para alcançar o resultado que deseja ou para fazer algo que realmente importa. Mas não tem problema, você estará em boa companhia.

Escolha sua luta

Você pode ter o que quiser, mas não pode ter tudo.

Num mundo de infinitas possibilidades, somos seres de recursos finitos. Os recursos mais escassos e fundamentais para aproveitarmos ao máximo esta vida são tempo e atenção. Você pode ler o livro que quiser, mas não pode ler todos.

Vidas extraordinárias não acontecem por acaso. Dedicação e foco são essenciais.

Mudando o mundo
Todos podemos mudar o mundo de várias formas. Mas não de todas. Você deve escolher sua luta. Qual a causa que você realmente gostaria de abraçar? Qual problema você gostaria de resolver? Existem vários veículos para mudar o mundo: fazendo um filme, criando uma empresa, fundando uma ONG, instigando revolução armada etc.

Após escolher algo que realmente lhe seja importante (e não algo que lhe deixárá empolgado por uma semana apenas), prepare-se para se dedicar a esta causa por meses, talvez anos. Consistência é a palavra chave.

Em suma: para mudar o mundo, escolha um problema, escolha um veículo e prepare-se para dar o sangue para fazer isso acontecer. Como tudo que vale a pena ser feito.

As lições de Ayrton Senna em sua videobiografia

Assisti há pouco o filme que conta a história de Ayrton Senna na Formula 1.

Eu gostaria de focar este texto em alguns aspectos do Ayrton, mais precisamente no lado humano dele, e nas lições e reflexões que julguei ser possível extrair dos êxitos e insucessos do gênio das pistas.

Journey and destination. Ayrton Senna tinha uma missão. Ele sabia o que queria e o que precisava fazer para chegar lá. Aos 31 anos, tricampeão mundial de Formula 1, com uma conta bancária bem gorda e tendo virtualmente tudo o que quisesse da vida, ele diz algo como: “Eu acho que vou ser feliz quando for uma pessoa realmente completa. Por enquanto, eu sei que ainda não sou.” Isso soou muito forte para mim. Ayrton Senna, o homem sinônimo do tema da vitória, não é feliz? Pois é o que parecia. É possível se perceber na corrida de ratos, correndo atrás de algo, e ao chegar lá comemorar por um tempo só para perceber que você quer mais. Essa insaciável busca pela conquista é uma marca de Ayrton, mas será que ele não seria mais feliz se aprendesse a apreciar o que ele já tinha e quem ele já era? Pois me parece que felicidade e sucesso não andam sempre juntos.

Leva tempo e trabalho para se tornar a pessoa que você é. Ayrton sabia do que era capaz antes que o mundo o descobrisse. Ele tinha consciência de sua capacidade. Mas depois de entrar pra Formula 1 e conseguir provar para si mesmo que era bom e tinha potencial, era necessário muito mais do que ligar o piloto automático. É necessário disciplina para acordar todos os dias e se tornar a pessoa que você pode ser, disciplina que sobrou a Senna e que falta a alguns grandes ídolos do futebol (não creio ser necessário citar). É difícil ser um sucesso e ter que trabalhar para se superar. Poucos conseguem fazê-lo, e muitos vivem de glórias passadas.

Jogo de cintura e lidar com as pessoas é importante. Alain Prost, o vilão do filme =) é uma pessoa muito melhor relacionada que Ayrton na Formula 1, e isso lhe trouxe muitas vantagens e facilidades. É bonito ser o underdog e superar tudo e a todos. Esta é a característica de um herói, e Ayrton o é com todos os méritos. Mas depois de assistir o filme, é fácil imaginar o quanto de sofrimento e frustração não seria poupado se ele tivesse um pouco mais de jogo de cintura.

Maturidade. Ayrton chega ao seu terceiro campeonato muito satisfeito. Mesmo tendo princípios sólidos, ele entende que o jogo é para ser jogado. Os patrocinadores e investidores não deveriam se envolver no resultado de um campeonato de pilotos, mas Ayrton entende um pouco melhor que o sistema sem eles também não existiria, e que alguém precisa pagar pelo espetáculo. Os melhores carros do mundo não se fazem sozinhos e certamente não de graça. Portanto, o sistema exige uma máquina por trás, com seus próprios interesses, e é sabendo lidar melhor com isso que o craque do volante chega ao seu pico da carreira, menos de mal com o mundo.

Qual o sentido de tudo isso? Após a morte do austríaco Roland Ratzenberger, um dia antes da fatalidade de Senna, alguém comenta: “Todos estavam se perguntando por que é que estávamos ali, e o que é que estávamos fazendo.” É importante parar e pensar que rumo sua vida está tomando. O piloto automático é o pior de todos os pilotos na pista da vida.

Fatalidades acontecem (life’s not always fair). Isso vai de encontro com um post recente, o mundo não opera pela lógica moral criada pelo homem, e sim por uma realidade mecânica e imparcial. O que aconteceu com Senna foi uma morte muito, mas muito besta, perto de toda a grandeza daquele ser humano. Às vezes morre-se como heroi, e às vezes você tropeça e bate a cabeça na guia. Alain Prost está vivendo sua vida, gozando de seus vinhos e mulheres e Senna está morto. A vida nem sempre é justa, e não há muito o que se fazer com relação a isso.

Em qual mesa sentar. Jogadores de poker dizem que uma das jogadas mais importantes acontece antes das cartas serem embaralhadas: mais importante do que ser bom, é escolher em qual mesa sentar. As chances de ganhar aumentam muito se seus adversários são inexperientes. Prost demonstrou ter aprendido esta lição ao garantir seu lugar na Williams no ano certo (em 1993, e não em 1994 quando a vantagem tecnológica que ela tinha foi banida, deixando Senna na mão) e exigir por contrato que não competiria com o Ayrton de novo na mesma equipe.

Rosebud. Ao ser perguntado qual teria sido o adversário que mais lhe deu prazer ao competir, Senna remete aos tempos de corrida de kart. “Aquilo era corrida de verdade, não havia política ali.” Talvez os anos mais felizes de Senna. Será que as coisas que perseguimos e damos prioridade do nosso tempo na maioria dos dias da nossa vida são mesmo as que realmente importam?

Competitivo por natureza e viciado na vitória (ao ponto de compará-la, em suas palavras, com as drogas), Ayrton é um ícone e neste filme assume papel de mito e de herói, que lhe caem bem. O sacrifício está lá, a capacidade e incontestável superioridade em seu talento também. Faltou a Ayrton mesmo um pouco de sorte. E por esta falta de sorte, quantas outras lições poderíamos ter aprendido!

Leia também: a crítica do Forlani.

O paradoxo da tecnologia

Tecnologia é um tema tão corriqueiro atualmente, que nem mesmo paramos para pensar em seu conceito inicial.

Conheço pessoas que encaram a tecnologia como algo ruim: o progresso desumanizante que nos faz olhar mais para uma tela brilhante do que para rostos de outros humanos. Há pessoas que rejeitem novas tecnologias por preguiça de aprender, ou porque as consideram irritantes, superficiais e até mesmo emburrecedoras.

Eu acredito que a tecnologia nos torna mais humanos.

Tecnologia não é apenas o computador, celular ou avião que usamos. Ela contempla desde o calçado até a lâmina de barbear. Do míssel teleguiado ao cortador de unha (tente tirar uma pelinha do dedo sem um alicate). Lápis, garrafa, cimento, torneira, roda: tudo isso é tecnologia. Sem tais elementos tecnológicos, onde estaria o ser humano? Foi quando percebi que sem tecnologia não há humanidade. Sem tecnologia, não viveríamos diferentemente de elefantes ou macacos.

Se você já tentou desapertar um parafuso com uma faca, trocar um pneu com a chave errada ou vestiu um sapato apertado, já deve ter sentido a importância de termos a ferramenta certa. É frustrante não tê-la e em minha opinião é uma afronta a todos os anos de progresso científico que a humanidade alcançou com muito esmero.

Mas o ser humano não é só tecnologia

Em tempo. Também não sou da opinião de que devamos nos afastar do que é natural e não-tecnológico. O contato com estas coisas nos relembra nossa essência, e é importante. O livro Made by Hand trata da importância do trabalho manual para a mente do ser humano. Ou seja, não advogo manter sua bunda em cima de uma cadeira fofinha, usando o computador o dia inteiro.

As experiências mais inesquecíveis que tenho não são jogando o videogame da última geração (embora tenha muitas experiências boas neste sentido). São geralmente de lugares e pessoas. Portanto, a tecnologia é ótima ferramenta, mas péssimo fim.

Vale notar também que a tecnologia é um ótimo servo, mas um péssimo senhor. Viver sua vida ditada por fontes externas é absurdo. Talvez a sociedade um dia entenderá que é muito rude interromper uma conversa para ler uma mensagem de texto que acabou de chegar no celular. A mensagem de texto não vai sumir se você esperar a pessoa terminar de falar! Mesmo assim, muita gente interrompe alguém que está disponibilizando seu tempo para um encontro físico em virtude de alguém que mandou uma mensagem de texto. E exemplos não faltam: executivos checando e-mail de trabalho no final de semana, filho que conversa com a mãe enquanto responde o amiguinho no msn. E infelizmente a lista não pára por aqui.

So… gear up

Enfim, tenha sempre as ferramentas em mãos necessárias para tudo o que você precisa. Você não é um homem completo se não tem ao menos um kit básico de ferramentas (assistir Gran Torino). Mas não deixe que a tecnologia assuma o poder. Lembre-se, ainda é você é o condutor do carro, e não o contrário. Por pouco tempo, mas você entendeu o espírito.